A pesquisa realizada pelo Movimento Pessoas à Frente, em colaboração com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e apoio da Fundação Lemann, revela que a chamada "porta giratória" entre os setores público e privado é uma realidade pouco comum no Brasil.
Dados Reveladores
Conforme o levantamento, 60% dos líderes que ocupam cargos na administração pública nunca tiveram experiência no setor privado. Apenas 8% dos dirigentes entrevistados passaram por empresas ou organizações civis antes ou após seus mandatos no governo.
Retorno ao Setor Público
Outro dado interessante apontado pela pesquisa é que somente 1% dos profissionais que saíram do setor público, foram para a iniciativa privada e depois retornaram a cargos de direção. Eduardo Couto, coordenador do Movimento Pessoas à Frente, comenta que as trajetórias dos líderes são predominantemente formadas dentro do próprio setor público.
Estudo Abrangente
O estudo, que analisa o Atlas do Estado Brasileiro, foca nos ocupantes de cargos comissionados de direção, excluindo ministros e secretários. As posições de liderança no serviço público, como os Cargos Comissionados Executivos (CCE), são uma das áreas analisadas.
Efeito Bumerangue
Um dos fenômenos identificados é o que Couto denomina "efeito bumerangue": 44% dos dirigentes que deixam seus cargos acabam retornando ao mesmo órgão e função. As trajetórias demonstram um padrão de permanência, com 79% dos dirigentes ainda ativos em suas funções dois anos após a entrada na base de dados.
Experiência Crescente
A pesquisa também constatou que a média de anos de experiência dos dirigentes na administração pública aumentou significativamente, passando de 7 anos em 1999 para 16 anos em 2025. Isso reflete uma estabilidade maior entre os ocupantes de cargos de liderança.
Perfil dos Dirigentes
Além disso, 63% dos dirigentes em posições de alto nível são servidores de carreira, e 75% já possuíam experiência no serviço público. Entretanto, entre os que não vêm do setor público, há uma proporção maior de mulheres e pessoas negras, com dados mostrando um aumento na participação feminina e de minorias a partir de 2022.
