O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, solicitaram aos líderes do G7 a conclusão do anexo que trata do compartilhamento de patógenos e do acesso a benefícios em futuros acordos sobre pandemias. A carta foi divulgada na última segunda-feira, 15, durante a cúpula que ocorre em Évian-les-Bains, na França.

Urgência no Acordo de Pandemias

No documento, Lula e Tedros ressaltam que a finalização do anexo é fundamental não apenas para o Acordo sobre pandemias, mas também para as lições aprendidas com a crise da covid-19. Eles afirmam que é imprescindível que os países consigam identificar rapidamente patógenos com potencial de causar pandemias e compartilhar informações genéticas e materiais biológicos, permitindo o desenvolvimento de testes, tratamentos e vacinas.

O Acordo de pandemias foi adotado por consenso pela Assembleia Mundial da Saúde em 2024, com o objetivo de promover a colaboração entre os Estados-Membros para prevenir novas crises de saúde. Contudo, a falta de consenso sobre a questão do compartilhamento de patógenos impediu a conclusão do acordo nas reuniões de maio, que devem ser retomadas em julho.

Desafios e Mudanças Climáticas

Na carta, Lula e Tedros enfatizam a necessidade de “vontade política” e um “espírito de equidade” entre os países para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela evolução dos sistemas agrícolas, que estão alterando o surgimento de patógenos perigosos. Eles alertam que surtos podem surgir mais perto do que se imagina, não se limitando a regiões distantes.

O documento também foi enviado aos líderes do G20 e BRICS, destacando a importância de uma resposta unificada às ameaças à saúde global. O contexto da carta é agravado por um novo surto de Ebola declarado na República Democrática do Congo e em Uganda.

Reuniões e Diplomacia Comercial

No G7, Lula também se reuniu com a premiê do Japão, Sanae Takaichi, onde discutiram a possibilidade de iniciar negociações de um acordo entre o Japão e o Mercosul. Lula expressou otimismo sobre a possibilidade de boas notícias a respeito desse tratado durante a cúpula do Mercosul, agendada para 30 de junho em Assunção, Paraguai.

Além das negociações com o Japão, o presidente brasileiro deve se encontrar com líderes europeus para discutir a recente exclusão de produtos brasileiros de origem animal do mercado europeu. O embate sobre a carne brasileira se intensificou após a decisão da UE, que entrou em vigor em 3 de setembro, levando à necessidade de esclarecimentos por parte dos representantes brasileiros.