As bolsas de Nova York terminaram o pregão desta quarta-feira (24) sem uma direção única, em mais um dia marcado pela pressão sobre o setor de tecnologia. O Nasdaq voltou a ser o índice mais penalizado, à medida que as empresas ligadas à inteligência artificial seguem afetadas pela perspectiva de juros mais elevados por parte do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

No fechamento, o Dow Jones registrou alta de 0,36%, aos 51.850,87 pontos. Já o S&P 500 recuou 0,10%, encerrando em 7.358,39 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,43%, terminando o dia em 25.476,64 pontos. Os investidores acompanhavam com atenção a divulgação do balanço da Micron, prevista para logo após o encerramento dos negócios, em busca de pistas sobre a saúde do setor.

Tecnologia e chips no centro das perdas

As preocupações em torno dos gastos financiados por dívida das grandes companhias de tecnologia, somadas à possibilidade de um Fed mais rígido, foram os principais motores das quedas observadas ao longo da semana. O impacto foi mais intenso no Nasdaq, índice fortemente concentrado em ações do setor tecnológico.

Entre as fabricantes de memória, os papéis da Micron caíram 0,37%, enquanto a Sandisk recuou mais de 2%. Ambas as empresas já haviam despencado cerca de 13% no pregão anterior. Outras companhias de semicondutores também sentiram o movimento de baixa, como foi o caso da AMD e da Intel, que igualmente fecharam em queda.

Petróleo em baixa pressiona setor de energia

O recuo nos preços do petróleo, pela terceira vez na semana, pesou sobre as ações das empresas de energia. Gigantes do setor como Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips perderam mais de 2% cada. O fundo State Street Energy Select Sector, que acompanha o desempenho do segmento, também caiu quase 2% no dia.

Para a consultoria Capital Economics, as incertezas sobre o futuro da onda de investimentos em inteligência artificial, a rápida valorização das ações de chips e o impacto de um Fed mais duro sob o comando de Kevin Warsh afastaram Wall Street da tradicional correlação com o petróleo. Segundo a análise, desde que uma nova escalada seja evitada, os fatores macroeconômicos domésticos — e não as oscilações diárias do petróleo — devem voltar a ser a principal influência sobre os mercados.

Construtoras na contramão

Em direção oposta ao restante do mercado, as ações de construtoras e de fabricantes de materiais de construção dispararam em Nova York. O movimento foi impulsionado pela aprovação, em ambas as casas do Congresso americano, de um projeto de lei voltado a reduzir os custos de moradia no país. Entre os destaques, a Builders FirstSource avançou 11%, a PulteGroup ganhou 7,2% e a KB Home registrou alta expressiva de 16,7%, refletindo o otimismo do setor imobiliário diante da nova medida.