O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, confirmou nesta terça-feira (26) que a instituição vendeu em maio parte de suas ações da Petrobras. Essa decisão foi motivada pela valorização significativa das ações da companhia, que impactou as obrigações do banco.
Conforme informações da Reuters, o BNDES liquidou cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras e mais R$ 500 milhões em papéis da Axia Energia. Mercadante ressaltou que a venda de ações de empresas consolidadas está nos planos do banco de fomento, visando uma realocação de recursos para novos investimentos.
Regra de Prudência
O presidente do BNDES explicou que existe uma cláusula prudencial do Banco Central que limita a concentração de ações em uma única empresa a 25% da carteira. "A Petrobras teve uma valorização muito forte no primeiro trimestre e ficamos com risco de ultrapassar esse limite", afirmou Mercadante durante um evento na sede do BNDES.
Ele detalhou que a venda se restringiu apenas às ações preferenciais da estatal, que, segundo dados da LSEG, tiveram uma valorização de aproximadamente 58% no primeiro trimestre deste ano. Mercadante também foi questionado sobre as vendas de ações da Axia e da Copel, mas não forneceu detalhes adicionais, reafirmando que o BNDES está revisando sua carteira de participações.
Foco em Inovação e Sustentabilidade
"Somos um banco de fomento e desenvolvimento, por isso não podemos apenas focar no rendimento. É essencial olharmos para o futuro, com ênfase em tecnologia, descarbonização e inovação", comentou Mercadante, enfatizando a nova abordagem do BNDES em relação aos investimentos.
Brasil Soberano 2
Em relação ao plano Brasil Soberano 2, Mercadante informou que a demanda por recursos é robusta, já atingindo cerca de R$ 5 bilhões. Este novo programa foi criado para apoiar empresas brasileiras exportadoras que enfrentam tarifas de importação dos Estados Unidos, além de mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio.
O plano, que foi lançado por meio de medida provisória no final de março, prevê um total de R$ 21 bilhões em crédito, com R$ 15 bilhões provenientes do governo federal e o restante do BNDES. Mercadante destacou que a resposta do banco tem sido ágil em relação à concessão de crédito.
