O Banco Central Europeu (BCE) afirmou que os países da União Europeia que ainda não fazem parte da zona do euro registraram pouco ou nenhum avanço em direção à moeda comum nos últimos anos. A conclusão consta de um relatório bienal divulgado nesta quarta-feira, em Frankfurt, que praticamente repete o diagnóstico apresentado dois anos antes — sinal de que o processo de convergência ficou estagnado.

Segundo a autoridade monetária europeia, o caminho rumo ao cumprimento dos critérios de convergência foi prejudicado por choques externos. Mesmo a Hungria, apontada como o país que discute a adesão de forma mais ativa, não atende a nenhuma das exigências necessárias para integrar o bloco da moeda única.

Adesão obrigatória, mas sem punição

Todos os Estados-membros da União Europeia, com a única exceção da Dinamarca, têm a obrigação legal de adotar o euro em algum momento. Na prática, porém, o descumprimento desse compromisso não gera qualquer penalidade. Por isso, apenas alguns governos trabalham de fato para aderir, enquanto a maioria prefere preservar a flexibilidade de manter uma política monetária independente.

Contas públicas em deterioração

O BCE alertou que as finanças públicas pioraram na maior parte dos países analisados desde o Relatório de Convergência de 2024. Em alguns casos, a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) cresceu de forma significativa, o que afasta ainda mais essas economias dos parâmetros exigidos para a entrada na zona do euro.

Embora a Bulgária tenha ingressado no bloco monetário no início deste ano, os cinco candidatos remanescentes ainda parecem estar a muitos anos de distância da adesão. São eles: República Tcheca, Hungria, Polônia, Romênia e Suécia, que seguem distantes do conjunto de regras conhecido como critérios de Maastricht.

Hungria é a mais distante da meta

O novo governo húngaro prometeu cumprir as condições até 2030, mas o país está entre os mais afastados desse objetivo. A Hungria apresenta os níveis mais elevados de dívida e de taxa de juros entre os cinco candidatos, enquanto o déficit orçamentário, a taxa de inflação e a volatilidade da moeda estão todos fora dos valores de referência estabelecidos.

Além dos indicadores econômicos, o relatório aponta que a legislação do banco central húngaro não está em conformidade com os requisitos do bloco. O BCE também cobrou avanços no Estado de Direito e no combate à corrupção, condições consideradas essenciais para um crescimento econômico sustentável liderado pelo setor privado.

Para a instituição, é preciso melhorar a qualidade das instituições públicas e garantir que elas estejam livres de interferências políticas indevidas. O BCE acrescentou ainda que a Hungria enfrenta desafios estruturais ligados ao envelhecimento da população e a desequilíbrios crescentes entre a oferta e a demanda de qualificações no mercado de trabalho.