Entre os anos de 2012 e 2024, o Brasil enfrentou um alarmante aumento de 349% nas picadas de escorpião, totalizando 1.729.023 casos e 1.230 mortes, conforme um estudo publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases. Essa elevação representa uma taxa nacional de incidência que saltou de 31,8 para 142,82 casos por 100 mil habitantes.

Estudo e Análise dos Dados

Os pesquisadores, que atuam no Instituto Butantan, na USP (Universidade de São Paulo), no Ministério da Saúde e na Secretaria de Saúde de São Paulo, analisaram dados de todos os 5.570 municípios brasileiros. Eles identificaram que a urbanização desordenada possibilitou a proliferação dos escorpiões, que agora se encontram não apenas em áreas rurais, mas também em redes de esgoto e locais mal cuidados nas cidades.

Períodos de Maior Risco

O estudo indica que os meses de setembro a dezembro são os mais críticos para picadas de escorpião, principalmente por conta das condições ambientais, como temperaturas elevadas e menor cobertura vegetal. Além disso, o índice de alfabetização mais baixo em algumas regiões está associado a uma maior vulnerabilidade social.

Estados em Alerta

Minas Gerais, São Paulo e Bahia foram identificados como os estados com maior risco, abrangendo mais de 50% de seus territórios. As regiões Nordeste e Sudeste juntas contabilizam 87% de todos os casos no país. O estudo destaca que o escorpião-amarelo, Tityus serrulatus, se espalha rapidamente em áreas urbanas, contribuindo para o aumento de acidentes.

Dados Preocupantes em Minas Gerais

Em Minas Gerais, o estado lidera o número de óbitos por escorpionismo, com 67 mortes registradas em 2023, representando 51,14% do total de mortes no Brasil. A Bahia também apresentou um aumento significativo nos casos entre 2018 e 2024, enquanto Alagoas tem a taxa mais alta, superando 270 casos por 100 mil habitantes.

Impacto nas Crianças e Idosos

O estudo revela que as crianças de até 9 anos foram as mais afetadas, correspondendo a 36,7% das mortes. Isso se deve à imaturidade do sistema imunológico e ao menor peso corporal, que aumentam a gravidade do envenenamento. Por outro lado, os idosos acima de 60 anos foram os que mais apresentaram casos, com taxas 63% maiores do que as das crianças.

Recomendações em Caso de Picadas

Especialistas recomendam a limpeza de áreas com acúmulo de lixo e entulho para prevenir picadas de escorpião. Caso ocorra uma picada, é essencial lavar a área afetada com água e sabão, aplicar uma compressa morna e buscar atendimento médico imediato, especialmente se a vítima for uma criança. Em casos mais graves, o tratamento pode requerer a aplicação do soro antiescorpiônico produzido pelo Instituto Butantan.