Fontes próximas à ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível) indicam que a votação sobre as mudanças nas regras de venda de gás de botijão, agendada para esta sexta-feira (12), pode ser adiada. A justificativa apresentada é a urgência de outros assuntos, especialmente aqueles relacionados à Guerra no Irã.

Pressões do Setor e do Governo

Entretanto, esse adiamento pode estar encobrindo um intenso jogo de pressão que envolve tanto o governo federal quanto as grandes distribuidoras de gás. Caso a proposta seja aprovada, ela criará a figura do envasador avançado de gás de cozinha, permitindo o enchimento de botijões em locais distantes das bases de distribuição.

Propriedade do Botijão Vazio

As empresas do setor argumentam que o botijão tem uma identidade relacionada ao seu fabricante e, quando vazio, não pode ser reabastecido em outro lugar. A proposta em discussão sugere a instalação de um chip para rastreamento dos botijões, permitindo que sejam utilizados por diferentes distribuidoras. Isso levanta a questão sobre a propriedade do botijão vazio: seria do consumidor ou da distribuidora?

Argumentos de Segurança e Investimentos

As grandes distribuidoras utilizam o argumento da segurança na operação dos botijões, mas também lembram ao governo sobre os investimentos feitos no setor, especialmente no contexto do programa Gás do Povo, que visa subsidiar o gás de cozinha para famílias de baixa renda. Elas ressaltam que a demanda por gás deve crescer ainda mais, o que pode afetar novos investimentos no setor, especialmente em um ano eleitoral.

Irritação nas Discussões

Uma fonte ligada à ANP revelou que as empresas têm demonstrado um certo nível de "irritação" nas discussões sobre essas mudanças. A pressão por uma posição da agência é intensa, e há um clima de expectativa sobre como a situação se desenrolará.

Cenário Favorável aos Pequenos Produtores

O governo, por sua vez, está tentando mudar um cenário que pareceria favorável à aprovação de uma ação regulatória que beneficia os pequenos produtores, os quais são defensores da alteração na política de botijões. A dinâmica entre governo, distribuidoras e a ANP continua a ser um tema de grande relevância no setor de gás.