Afukaka Kuikuro, uma das figuras mais proeminentes do povo Kuikuro e do Alto Xingu, faleceu no dia 15 de junho. Nascido em uma tradicional linhagem de líderes, dedicou sua vida à preservação da cultura indígena e ao fortalecimento do diálogo com a sociedade fora de sua comunidade.

Trajetória e liderança

O neto de Afukaka destacou que ele pertencia a uma linhagem de grandes líderes, sendo neto de um cacique que compartilhava seu nome e filho de Almar, um reconhecido lutador. Apesar de não ser o primeiro na linha de sucessão, ganhou respeito por suas habilidades e por sua atuação em prol do povo Kuikuro, eventualmente se tornando cacique.

Contribuições e legado

Durante sua vida, Afukaka teve um papel significativo na aproximação entre os povos do Alto Xingu e a sociedade não indígena. Ele defendia que o diálogo com o mundo exterior não deveria comprometer a preservação das tradições e rituais de seu povo. Sua luta pela defesa dos direitos indígenas ganhou destaque internacional, representando seu povo em vários países.

Atuação acadêmica e cultural

Afukaka também se destacou em iniciativas acadêmicas, participando de pesquisas sobre o território kuikuro e sendo um dos primeiros indígenas a assinar um artigo na revista Science. Ele recebeu diversos pesquisadores e personalidades, incluindo o fotógrafo Sebastião Salgado, com quem estabeleceu uma amizade duradoura.

Família e sucessão

Após a morte de seu pai na infância, Afukaka foi criado por sua mãe e uma tia-avó, ambas da linhagem de chefia. Casou-se com duas irmãs e teve uma família grande. O filho mais velho, que seria seu sucessor, faleceu antes de concluir um ritual, levando a chefia a ser passada ao filho mais novo, Amuneri, que atualmente lidera a comunidade.

Repercussão e tributos

Nos últimos anos, a saúde de Afukaka se deteriorou, especialmente após contrair Covid-19, mas ele permaneceu próximo de sua família e comunidade até o fim. Sua morte gerou grande comoção, com instituições como o Instituto Raoni lamentando a perda e ressaltando sua contribuição à cultura e aos direitos indígenas. A Fepoimt e a ATIX também expressaram condolências, reafirmando a importância de sua liderança e do legado que deixa.