A menopausa, juntamente com o período que a precede, representa uma transição biológica que impacta profundamente a saúde das mulheres. Com 50 anos, posso afirmar que essa fase, muitas vezes vivida em silêncio, tem sido historicamente ignorada no debate público.
Esse fenômeno pode ser explicado por diversos fatores, como a invisibilidade da mulher na sociedade, a escassez de pesquisas científicas e a falta de informação tanto por parte da classe médica quanto da própria população feminina. Além disso, a vergonha e o estigma em torno da menopausa contribuem para a sua marginalização, como se as mulheres tivessem um prazo de validade.
Dados e pesquisas
Estudos mostram que mais de 75% das doenças relacionadas à idade podem ser influenciadas pela menopausa, no entanto, menos de 1% das pesquisas científicas abordam essa questão. A maior parte dos estudos é realizada com homens, o que resulta em um entendimento limitado sobre os efeitos da menopausa na saúde feminina.
Historicamente, a menopausa recebeu menos atenção do que condições específicas do sexo masculino. Isso leva a um cenário no qual muitas mulheres podem ser diagnosticadas e tratadas para doenças que, na verdade, são sintomas relacionados à menopausa.
Avanços recentes
Nos últimos anos, a menopausa começou a ganhar espaço como uma questão política, sendo reconhecida como uma questão de saúde pública, igualdade e direitos humanos. A luta pela paridade feminina também envolve a atenção às condições que afetam exclusivamente as mulheres.
Recentemente, Melinda Gates, cientista e filantropa, clamou por uma revolução na forma como a menopausa é tratada. Cada vez mais vozes, tanto no Brasil quanto em Portugal, estão se levantando para exigir políticas públicas que minimizem os impactos dessa fase da vida das mulheres.
Demandas e soluções
Essas políticas devem incluir acesso a assistência médica especializada, terapias de reposição hormonal, suporte psicológico e multidisciplinar, além de suplementação que possa melhorar a qualidade de vida durante a menopausa.
É fundamental trazer o debate sobre a menopausa para a agenda pública, independentemente de partidos ou ideologias. Ignorar essa condição que afeta uma grande parte da população não é mais aceitável. Afinal, metade do mundo é composta por mulheres e a outra metade pelos filhos delas. Portanto, por que continuamos a ser esquecidas?
