Um recente levantamento da consultoria StoneX revelou que o preço do whey protein subiu quase 90% nos últimos doze meses. Em maio, o custo da tonelada do suplemento com 80% de proteína alcançou a marca de 20 mil euros, equivalente a cerca de R$ 118 mil.
Motivos para o aumento
Esse aumento significativo é atribuído a uma série de fatores, incluindo a crescente conscientização sobre saúde e o envelhecimento da população. Contudo, especialistas apontam que a popularização de medicamentos conhecidos como agonistas do GLP-1, utilizados para emagrecimento, é um fator primordial na elevação da demanda por proteínas.
Alberto Moretto, diretor do Grupo Supley, comenta que o consumo global de whey protein está em ascensão, especialmente devido à utilização de emagrecedores e à necessidade de um maior aporte proteico entre os pacientes. Ele enfatiza que a complexidade da cadeia produtiva do soro do leite também impacta diretamente o preço final do produto.
Impactos do uso de medicamentos
Os medicamentos mencionados têm como um de seus efeitos colaterais a diminuição do apetite. Especialistas alertam que, com a redução na ingestão alimentar, muitos usuários enfrentam dificuldades em atingir a quantidade diária recomendada de proteína, o que pode resultar na perda de massa magra durante o processo de emagrecimento.
Marcella Garcez, diretora da Abran, destaca a importância do consumo adequado de proteínas para a preservação da massa muscular, melhoria da saciedade e recuperação muscular. Estudos recentes apontam que manter a massa magra é um dos principais desafios para aqueles que utilizam essas medicações.
Recomendações de consumo
A nutricionista Cida Mariosa ressalta que as diretrizes médicas recomendam que pacientes em tratamento com GLP-1 consumam entre 1,2 g e 1,6 g de proteína por quilo de peso ideal. Essa necessidade pode variar conforme o perfil do paciente, sendo que pessoas acima dos 60 anos devem ingerir de 1,5 g a 1,8 g por quilo.
Além disso, o whey protein é frequentemente sugerido para idosos, pacientes pós-bariátrica, atletas e pessoas hospitalizadas ou com sarcopenia, segundo Garcez. Entretanto, ela alerta que o consumo excessivo de proteína pode trazer desconfortos gastrointestinais e sobrecarga renal em indivíduos predispostos.
Alternativas ao whey protein
Para aqueles que buscam reduzir o consumo de whey protein, Mariosa indica opções saudáveis como ovos, peito de frango, iogurte grego, atum, sardinha, queijo cottage, ricota, lentilha e grão-de-bico. Uma boa estratégia é iniciar as refeições com a proteína, garantindo assim que a meta diária seja alcançada antes que a saciedade se instale.
Garcez complementa que é ideal distribuir a ingestão de proteínas ao longo do dia, garantindo que todas as refeições incluam uma fonte proteica. Sugestões para o café da manhã incluem ovos e iogurte, enquanto no almoço e jantar, priorizar fontes proteicas acompanhadas de vegetais é fundamental para o controle da saciedade.
Para lanches, opções como iogurte, kefir, queijo e ovos cozidos são práticas. Além disso, combinações tradicionais, como arroz e feijão, oferecem uma qualidade aminoacídica satisfatória quando consumidas juntas.
