Wanda Conti, a primeira presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em São Paulo, faleceu no dia 13 de abril, aos 82 anos. Suas palavras, como um manifesto contra o 'complexo de vira-lata', ressoam na luta por dignidade e autoestima dos trabalhadores brasileiros.

Trajetória de Luta

Nascida em 1943 no bairro do Carandiru, na zona norte de São Paulo, Wanda enfrentou dificuldades financeiras que a levaram a se mudar para o interior, passando por Ribeirão Preto e Campinas. Em 1972, começou sua trajetória na Replan (Refinaria de Paulínia), onde se destacou como uma líder sindical.

Aposentada em 1992, Wanda fez parte de importantes movimentos sindicais, incluindo a greve de 1978 e a histórica greve de 1983, que foi um marco na resistência contra a ditadura militar. Sua coragem e determinação foram fundamentais para o surgimento de um novo sindicalismo no Brasil.

Militância e Alegria

Ronaldo Hipólito Soares, um colega de longa data, descreveu Wanda como alguém que equilibrava opostos, com um temperamento forte, mas também terno. Para ela, a militância não precisava ser séria e sisuda; a alegria também era uma ferramenta política essencial.

Defensora dos Direitos das Mulheres

Além de sua luta no meio sindical, Wanda foi uma fervorosa defensora dos direitos das mulheres. Ela sonhava com uma sociedade onde as mulheres ocupassem seu espaço de forma digna e respeitosa. Sua crítica ao feminicídio era contundente, considerando-o um 'cancro' que revelava a falta de aceitação da autonomia feminina na sociedade.

Legado Religioso e Social

A atuação de Wanda se estendeu além das refinarias, com uma forte presença na Igreja Católica. Ela foi uma das fundadoras da Regional Sul 1 do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), contribuindo para a organização dos leigos na Arquidiocese de Campinas.

Homenagens e Reconhecimento

Seu falecimento gerou uma onda de homenagens, culminando em um velório que contou com a presença de centenas de pessoas. Wanda também foi lembrada no 1º de Maio, quando uma sala do Centro Cultural Esperança Vermelha, em Campinas, recebeu seu nome, um tributo merecido à mulher que ensinou a lutar por dignidade e direitos.