Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) revelou que cerca de um terço da população em situação de rua na cidade nunca se submeteu a um exame de vista. O professor e médico oftalmologista João Marcello Furtado enfatiza que essas estatísticas evidenciam as dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Participação da pesquisa

No total, 491 voluntários participaram da pesquisa, sendo que 84,8% deles eram homens. Dentre a população masculina, a faixa etária predominante vai de 40 a 59 anos. O levantamento revelou que 33,8% nunca realizaram qualquer exame oftalmológico e 33,2% afirmaram que o último exame ocorreu há mais de cinco anos.

Problemas com a saúde ocular

Furtado observou que a maioria dos problemas visuais enfrentados por essa população são facilmente evitáveis ou tratáveis, caso houvesse acesso de qualidade aos serviços de saúde. A demanda por óculos é alta, e muitos indivíduos passam a vida sem consultas oftalmológicas. Mesmo quando conseguem uma consulta, o custo dos óculos se torna uma barreira significativa.

Condições de vida e riscos

O estudo teve origem a partir do trabalho do Instituto Simplesmente Amor, que fornece alimentos e roupas para pessoas em situação de rua em Ribeirão Preto. O presidente da instituição, Silvio Henrique Mica, alerta para os riscos que essas pessoas enfrentam, como a exposição a condições climáticas adversas e acidentes, que podem agravar problemas oculares.

Ações realizadas

Os pesquisadores levaram os exames oftalmológicos até os locais onde a população de rua é atendida, como abrigos e centros especializados. Utilizaram equipamentos portáteis para avaliações diversas, como refração e exame de fundo de olho. Óculos foram distribuídos gratuitamente, e casos mais complexos foram encaminhados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Próximos passos

Os pesquisadores agora buscam identificar os tipos mais comuns de doenças oculares e suas origens, com o intuito de desenvolver políticas públicas que atendam melhor essa população. Furtado destaca a importância de ir até a população em vez de esperar que ela busque atendimento, considerando as dificuldades que enfrentam para se deslocar.