As doenças cardíacas são responsáveis pela morte de mais mulheres do que todos os tipos de câncer somados. Apesar de essa realidade ser alarmante, muitas mulheres ainda acreditam que têm mais chances de falecer em decorrência do câncer, especialmente o de mama. Isso ocorre, em parte, pela falta de atenção que a saúde do coração feminino recebeu ao longo dos anos.
Fatores de risco distintos
Mulheres enfrentam uma lista específica de fatores de risco para doenças cardíacas. Além de hipertensão, diabetes e colesterol alto, complicações durante a gravidez, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, podem aumentar a probabilidade de problemas cardíacos no futuro. Muitas mulheres não mencionam essas situações passadas aos médicos, enquanto profissionais de saúde frequentemente não perguntam sobre elas.
A síndrome dos ovários policísticos e doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, também elevam o risco cardiovascular. Ademais, mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos estão em uma faixa mais vulnerável.
Menopausa: um período de atenção
A menopausa é um momento crítico para a saúde do coração. O estrogênio, que desempenha um papel protetor, diminui durante essa fase, resultando em aumento da pressão arterial e do colesterol, além de tornar as artérias menos flexíveis. Muitas mulheres se surpreendem ao notar que, ao contrário dos 30 anos, os níveis de colesterol podem se tornar preocupantes.
Diferentes manifestações de infarto
Os sintomas de infarto nas mulheres podem ser distintos e menos evidentes do que aqueles observados nos homens. Embora a dor no peito seja o sintoma mais comum, muitas mulheres relatam sensações de pressão ou peso. Além disso, é mais frequente que elas apresentem sintomas como falta de ar, náusea e fadiga. Muitas vezes, as mulheres minimizam esses sinais, colocando outras obrigações em primeiro lugar e, assim, ignorando sua saúde.
Causes variadas de infarto
Os infartos nas mulheres podem não estar relacionados apenas a obstruções arteriais. Muitas delas enfrentam problemas como a doença microvascular coronariana, que afeta vasos sanguíneos menores, e espasmos arteriais. Além disso, a dissecção espontânea da artéria coronária é mais comum entre mulheres, especialmente após o parto, o que pode levar a infartos com sintomas que se assemelham aos tradicionais.
Necessidade de exames especializados
É essencial que os médicos estejam atentos às particularidades da saúde cardíaca feminina, uma vez que alguns exames padrão podem não identificar problemas específicos. Caso uma angiografia apresente resultados normais, é aconselhável que a paciente busque um cardiologista para avaliações mais detalhadas, como testes de função coronariana.
Desafios na pesquisa e no tratamento
A desinformação e o viés de gênero ainda são desafios significativos na pesquisa sobre saúde cardiovascular feminina. A sub-representação de mulheres em estudos médicos compromete a compreensão dos efeitos dos hormônios e das particularidades dos tratamentos. Muitas vezes, as mulheres recebem tratamentos com base em diretrizes que não consideram suas especificidades, resultando em um cuidado menos eficaz.
