A Valve, dona da plataforma Steam, afirmou que enfrenta um ambiente cada vez mais hostil para fabricar suas novas Steam Machines. Segundo a companhia, os fornecedores de memória RAM adotaram uma postura de "pegar ou largar" na venda dos componentes, eliminando os contratos de longo prazo e prejudicando toda a indústria de hardware voltada ao consumidor final.

O motivo por trás dessa mudança não é novidade no setor de tecnologia: a prioridade das fabricantes passou a ser atender os grandes projetos de inteligência artificial, que movimentam volumes e valores muito mais expressivos do que o mercado de computadores pessoais.

Negociação engessada com os fornecedores

Em entrevista ao canal Gamers Nexus, um representante da Valve descreveu a dinâmica agressiva imposta pelos fornecedores. De acordo com o relato, todo mês as fabricantes disponibilizam uma cota fixa de memória e um preço pré-determinado, sem qualquer abertura para negociação.

"É sim ou não. E se dissermos não, eles nunca mais falam com a gente", afirmou o porta-voz da empresa, ilustrando o pouco poder de barganha que mesmo grandes companhias têm diante do atual aperto na oferta.

Steam Machine com apenas 16 GB

A escassez de opções obrigou a Valve a adaptar o projeto de seu novo dispositivo. A empresa confirmou que os primeiros lotes da Steam Machine serão enviados com apenas um pente de 16 GB de RAM. Segundo a companhia, essa foi a saída encontrada para manter a produção dentro do limite que os fornecedores permitem comprar a cada mês, sem comprometer o desempenho verificado em seus testes.

O novo PC de sala da Valve começará a ser distribuído no dia 29 de junho. Os aparelhos chegam ao público com preço inicial de US$ 1.049, o equivalente a cerca de R$ 5.400, valor que reflete diretamente a dificuldade enfrentada na fabricação.

IA pressiona o mercado de DRAM

O gargalo acontece porque as gigantes da produção de memória DRAM, como Samsung e Micron, redirecionaram quase toda a sua infraestrutura para atender grandes clientes corporativos. Empresas como a OpenAI compram volumes massivos de memória, configurando um modelo de negócios bem mais lucrativo do que fornecer peças para computadores pessoais e consoles.

A transição foi tão brusca que algumas fabricantes abandonaram a produção voltada ao mercado doméstico, enquanto outras, como a G.Skill, enfrentam dificuldades para manter suas linhas de produtos direcionadas ao consumidor comum.

Com as gigantes da tecnologia mantendo investimentos recordes em data centers e a indústria sem capacidade de suprir toda a demanda, a tendência apontada é de que computadores e videogames fiquem ainda mais caros no curto e no médio prazo.