A qualidade das águas dos afluentes do Rio São Francisco tem se deteriorado ao longo da última década, especialmente em Minas Gerais. Rios como das Velhas e Paraopeba, que atravessam grandes centros urbanos, são os principais responsáveis pela poluição que afeta o Velho Chico, resultando em águas mais contaminadas em seu estado natal do que em sua saída para a Bahia.
Impacto dos Afluentes
O Rio das Velhas, em particular, apresenta a situação mais alarmante, com suas águas chegando ao São Francisco com 100% de alta toxicidade e apenas 100% de média qualidade. A situação do Paraopeba também é preocupante, especialmente após o rompimento da barragem em Brumadinho, com 91,1% de suas águas classificadas como de qualidade média.
Em contraste, quando as águas do São Francisco deixam Minas Gerais e entram na Bahia, a qualidade melhora significativamente, com 80% das medições apresentando níveis de pureza satisfatórios e uma redução drástica na toxicidade, com apenas 10% das amostras mostrando alta carga de poluentes.
Critérios de Avaliação
Para mensurar a qualidade das águas, é utilizado o Índice de Qualidade das Águas (IQA), que avalia nove parâmetros físico-químicos e biológicos. O mapeamento de toxicidade considera a presença de substâncias nocivas, como mercúrio e cádmio, categorizando a poluição em níveis baixo, médio e alto.
Tributários Problemáticos
Os principais poluidores do São Francisco incluem o Rio das Velhas, que, apesar de apresentar uma qualidade aceitável em Ouro Preto, piora drasticamente nas áreas urbanas. A qualidade das águas em Sabará, por exemplo, mostrou um aumento na toxicidade de 40% para 60% entre 2015 e 2024.
Contaminação na Grande BH
Em Santa Luzia, as águas do Ribeirão da Onça, que drenam regiões de Belo Horizonte, resultaram em péssimas condições para o Rio das Velhas, com 40% das medições indicando alta toxicidade. Esse padrão se mantém em outros municípios da Grande BH, onde a qualidade da água permanece ruim e a concentração de poluentes é alarmante.
Desafio na Região Central
Após a Grande BH, a contaminação do Rio das Velhas continua acentuada, com municípios como Jequitibá e Cordisburgo apresentando índices elevados de toxicidade. O cenário se agrava ao longo do curso do rio, culminando em Barra do Guaicuí, onde a qualidade das águas é considerada crítica.
