A relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um aumento de tensão, especialmente em meio a investigações comerciais que envolvem a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo informações do UOL, o foco não se restringe apenas ao Pix, etanol ou desmatamento, mas também inclui as stablecoins, que são criptomoedas atreladas a moedas tradicionais.
Impacto das stablecoins nas negociações
Fontes que participaram das discussões indicam que as medidas implementadas pelo Banco Central do Brasil para regular as operações envolvendo stablecoins têm gerado desconforto entre autoridades americanas. Essa situação tem contribuído para uma deterioração do ambiente nas negociações que precedem a finalização da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Preocupações dos EUA com o sistema de pagamentos
Embora o relatório dos EUA não mencione explicitamente as stablecoins, a preocupação com o controle desses ativos se encaixa em uma visão mais ampla de Washington sobre a influência de mecanismos financeiros que possam diminuir a presença de empresas americanas ou aumentar a supervisão sobre transações internacionais.
A visão de Lula sobre as tarifas
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou sua insatisfação em relação às queixas dos EUA sobre o sistema de pagamentos e exigiu explicações sobre a taxação imposta antes da conclusão das negociações ministeriais.
O papel estratégico das stablecoins
As stablecoins, como USDT e USDC, são ativos digitais que mantêm seu valor em paridade com o dólar. De acordo com dados da Receita Federal, cerca de 90% das transações com criptomoedas no Brasil envolvem essas moedas, que são emitidas por empresas ligadas ao sistema financeiro dos EUA.
Novas regulamentações do Banco Central
Em 2025, o Banco Central implementou um regime de autorização para empresas que operam com ativos virtuais, classificando operações com stablecoins estrangeiras como operações de câmbio. As novas exigências, que começaram a valer em fevereiro de 2026, incluem a certificação técnica independente para empresas que realizam custódia de ativos. Além disso, em abril, o BC proibiu o uso de stablecoins e outros criptoativos para pagamentos internacionais através do sistema eFX, visando fortalecer a prevenção à lavagem de dinheiro.
Essas mudanças, que aumentaram a identificação de usuários e o monitoramento de fluxos financeiros, têm sido interpretadas por alguns setores do governo americano como uma questão de concorrência financeira e do impacto na circulação do dólar em mercados internacionais.
