Um estudo recente demonstrou que uma nova estratégia de reabilitação por telemedicina aplicada em hospitais públicos brasileiros tem conseguido reduzir a mortalidade de pacientes graves atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados foram apresentados em um congresso internacional de terapia intensiva realizado em Belfast, na Irlanda do Norte.

Resultados do Estudo

A pesquisa coordenada pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pelo Hospital Moinhos de Vento, através do Proadi-SUS, envolveu 1.916 pacientes internados em 20 hospitais de diversas regiões do Brasil entre 2024 e 2025. A telerreabilitação demonstrou uma redução de 7,6 pontos percentuais na mortalidade de pacientes com insuficiência respiratória aguda que necessitaram de ventilação mecânica, caindo de 78,3% para 71,8% em um período de 90 dias.

Modelo de Cuidado Integrado

O modelo utilizado na pesquisa consistiu em três etapas principais: suporte remoto para as UTIs, avaliações multidisciplinares durante a internação, e um programa personalizado de reabilitação via teleatendimento por dois meses após a alta. O objetivo inicial era melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas os resultados superaram as expectativas, mostrando um impacto significativo na sobrevivência.

Impacto na Qualidade de Vida

Os dados indicam que os pacientes acompanhados apresentaram um score médio de qualidade de vida 33% superior ao grupo controle. O estudo também revelou que o tempo médio de ventilação mecânica foi reduzido de 15,5 para 9,9 dias, e os pacientes permaneceram, em média, 4,9 dias a mais fora do hospital nos três meses seguintes à internação.

Desafios e Reabilitação Pós-UTI

Os pesquisadores destacam que a intervenção foi crucial para abordar a síndrome pós-UTI, que afeta muitos pacientes, causando limitações físicas e emocionais mesmo após a alta. A equipe médica foi orientada a minimizar a sedação e a evitar dispositivos invasivos desnecessários, buscando uma recuperação mais eficaz.

Potencial Econômico para o SUS

A análise econômica do estudo ainda está em andamento, mas acredita-se que a telerreabilitação poderá gerar economia para o SUS. A estratégia não apenas melhorou a saúde dos pacientes, mas também otimizou o uso dos recursos hospitalares, permitindo que uma equipe central atendesse pacientes de diferentes hospitais de forma eficaz.