Dados recentes de satélites e radares indicam que um Super El Niño está se formando no Oceano Pacífico Equatorial. Entre abril e maio, as medições revelaram que as temperaturas subsuperficiais estão 6 °C acima da média histórica, conforme informações divulgadas pela Deutsche Welle.
Probabilidade de consolidação do fenômeno
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que há 90% de chance de que este fenômeno se consolide nos próximos meses. Cientistas preveem que a intensidade do El Niño pode variar de moderada a forte, o que aumentará os riscos climáticos em todo o mundo.
Aquecimento da superfície do mar
O aquecimento significativo de 0,5 °C na superfície do mar, observado desde fevereiro, marca o início desse evento climático. Os impactos específicos dependerão da localização do aquecimento máximo no oceano, o que levanta preocupações sobre as consequências para diversas regiões.
Impactos previstos no Brasil
Os primeiros efeitos do Super El Niño devem ser sentidos na Região Sul durante a primavera, com previsões de chuvas intensas. Essa análise foi feita por José Marengo, coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).
Além disso, o fenômeno pode agravar a seca nas regiões Norte e Nordeste durante o inverno e início do verão, o que preocupa o Congresso Nacional em relação aos riscos para a população e o agronegócio.
Safra de grãos e desafios financeiros
Apesar do clima instável, a safra de grãos do Brasil está projetada em 356 milhões de toneladas, representando um aumento de 1,2% em comparação ao ano anterior. Contudo, a memória recente de desastres climáticos, como a inundação no Rio Grande do Sul em 2024, ainda está presente.
Falta de investimentos em infraestrutura
Embora os alertas sobre o Super El Niño sejam graves, os investimentos preventivos em áreas críticas estão estagnados. Em Santa Catarina, onde foi decretado estado de alerta climático até novembro, os recursos aplicados em infraestrutura de proteção foram mínimos.
Dados mostram que o estado utilizou apenas 15,4% da verba destinada à Defesa Civil em 2025, e apenas 0,66% foi empenhado para reformas de barragens, evidenciando a falta de preparação para enfrentar os desafios climáticos futuros.
Necessidade de adaptação contínua
A Defesa Civil da União está monitorando as condições climáticas em colaboração com estados e municípios, mas admite que ainda não há um prognóstico claro sobre os impactos. Especialistas do Cemaden sugerem que a preparação para desastres deveria ser uma prioridade constante.
O sociólogo Victor Marchezini enfatiza a importância da resiliência na infraestrutura urbana, em vez de medidas emergenciais. A vulnerabilidade social nas periferias urbanas também aumenta os riscos, e representantes de movimentos sociais destacam que muitas comunidades que enfrentaram enchentes no passado continuam sem investimentos estruturais para se adaptar às mudanças climáticas.
