O Brasil está em alerta diante da previsão de um Super El Niño, fenômeno que deve se intensificar a partir de junho de 2023. A expectativa é de que esse evento traga consequências severas, incluindo períodos de seca e enchentes em diversas partes do país.

Histórico de eventos extremos

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Super El Niño de 2026/2027 pode ser o mais intenso da era moderna. Desde 1900, estima-se que o Brasil tenha vivenciado cerca de 30 eventos desse fenômeno. Os anos mais impactantes identificados foram 1992/93, 1994/95, 1997/98, 2015/16 e agora 2023/24.

O que é o El Niño?

O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, resultado do enfraquecimento dos ventos alísios. Essa mudança altera a circulação atmosférica global, resultando em climas extremos. O fenômeno provoca secas em regiões como o Norte e Nordeste do Brasil, enquanto outras áreas, como o Sul, enfrentam chuvas excessivas.

Impactos em anos anteriores

No ciclo de 2015/2016, o Brasil registrou a seca mais severa da Amazônia, além de inundações no Sul, com o Rio Guaíba atingindo níveis alarmantes. Já em 2023/2024, a crise humanitária no Norte e Nordeste foi marcada por níveis críticos nos rios, enquanto o Sul sofreu com inundações devastadoras.

Os desafios de 2023/2024

A especialista em meteorologia Estael Sias, da USP, destaca que, embora 2015/2016 tenha sido o mais intenso em termos de aquecimento, o evento atual é o que mais causa danos à infraestrutura. Entre abril e outubro de 2024, o Distrito Federal enfrentou 167 dias sem chuvas significativas, agravando a situação.

Consequências para a região Norte

Durante o fenômeno de 2015/2016, a região Norte, especialmente Matopiba, sofreu com a quebra de safra e a redução drástica dos níveis dos rios, dificultando o transporte e o abastecimento de água. A engenheira ambiental Janeth Fernandes relata que a seca extrema resultou na morte de milhares de peixes, além de agravar problemas de saúde na população.

Desastres climáticos no Sul

O Rio Grande do Sul, sob a influência do El Niño e frentes frias, vivenciou um dos maiores desastres climáticos do Brasil, afetando quase todos os municípios e resultando em 184 mortes. Especialistas ressaltam a importância de mapear áreas de risco e melhorar a governança em desastres naturais para mitigar os impactos futuros.