A UFRJ irá prestar uma homenagem a Stuart Angel Jones, um jovem que foi torturado e assassinado durante a ditadura militar brasileira. Ele receberá um diploma póstumo em economia no próximo dia 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da universidade.

Um jovem interrompido pela violência

Stuart, que na época tinha apenas 25 anos, foi sequestrado em maio de 1971 e não conseguiu concluir seus estudos na UFRJ. Ele se destacou como militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), um grupo que lutava contra o regime militar. Sua trajetória é marcada pela luta e pela dor, tendo sua mãe, a estilista Zuzu Angel, sido uma feroz defensora pela verdade sobre seu desaparecimento.

Homenagem e legado

A cerimônia de diplomação póstuma foi anunciada pelo centro acadêmico que leva o nome de Stuart. Hildegard Angel, irmã de Stuart, comentou sobre a importância da homenagem e relembrou a brutalidade do regime militar. Segundo ela, muitos estudantes da época não tiveram a chance de finalizar seus estudos devido à repressão.

História de luta e dor

Durante o depoimento à Comissão Nacional da Verdade em 2014, o ex-guerrilheiro Alex Polari relatou os horrores que Stuart sofreu, detalhando torturas brutais até sua morte. A causa de seu falecimento, até então oculta, foi finalmente reconhecida em 2019, quando seu atestado de óbito foi atualizado para refletir a violência estatal.

A busca por justiça

Zuzu Angel se tornou uma figura emblemática na luta pelos desaparecidos políticos, usando sua visibilidade na moda para chamar a atenção para o caso de seu filho. Sua história foi eternizada na música "Angélica", de Chico Buarque, que expressa o desespero e a esperança de uma mãe que busca por seu filho perdido.

Memória e verdade

O anúncio da diplomação ocorreu em uma data significativa, o aniversário de Zuzu Angel. Sua luta por justiça e verdade continua a inspirar muitos, e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu que sua morte também foi resultado da violência do Estado. Hildegard enfatizou a importância de manter viva a memória do passado para que atrocidades como essas não se repitam.