Os sindicatos que representam os trabalhadores da aviação, tanto aeroviários quanto aeronautas, manifestaram apoio à proposta de redução da jornada de trabalho. Eles criticam a resistência das companhias aéreas em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6x1, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados.

Defesa da escala 5x2

O advogado do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Álvaro Quintão, afirmou que a entidade está em busca da implementação da escala 5x2. Essa mudança beneficiaria trabalhadores que atuam em funções essenciais, como check-in, embarque e desembarque de bagagens e controle de tráfego aéreo.

Quintão destacou que, apesar de avanços nas negociações, as empresas ainda não aceitaram oficialmente a nova escala, embora a resistência tenha diminuído. "Pela primeira vez, as empresas não mostraram uma rejeição tão forte", disse ele.

Desafios na implementação

Embora a escala 5x1 tenha sido homologada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), a sua adoção pelas empresas ainda enfrenta desafios. A convenção assinada com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) estabelece uma carga máxima de 42 horas semanais, mas nem todas as empresas estão aplicando essa mudança.

"A convenção orienta que as empresas, quando possível, adotem a escala 5x1, mas isso ainda não é obrigatório", afirmou Quintão, ressaltando a pressão contínua por melhores condições de trabalho.

Impactos da PEC

A nova proposta aprovada também introduz na Constituição o conceito de empregado "hipersuficiente", que se refere a profissionais com diploma de nível superior e salário elevado, que não teriam controle de jornada. Os sindicatos alertam que isso pode precarizar ainda mais a situação desses trabalhadores, especialmente pilotos, comprometendo a segurança das operações aéreas.

Tiago Rosa, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, expressou preocupação: "Esse tipo de mudança pode levar os trabalhadores a aceitarem jornadas excessivas, colocando em risco a segurança de todos".

Posicionamento das empresas

Em resposta, o CEO da Latam, Jerome Cadier, argumentou que a aprovação da PEC em sua forma atual teria impactos severos na operação internacional da companhia. Ele sugeriu que, se as mudanças se limitassem a aeroviários, o impacto seria mínimo.

Cadier também se reuniu com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir a situação, onde o ministro assegurou que a mudança não afetaria as leis existentes para os aeronautas.

Reações das entidades

Diego Barrionuevo, do Sindicato Nacional dos Aeronautas, ressaltou que a implementação da escala 5x2 não comprometeria as operações das empresas, enfatizando a necessidade de diálogo. Por outro lado, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) manifestou preocupações sobre os impactos de uma mudança na jornada sem considerar as especificidades do setor, enfatizando a importância da negociação coletiva.