O Brasil não repetirá a safra recorde de milho de inverno do ano passado, mas, mesmo com a queda na produção, o estoque de passagem e a baixa competitividade no mercado externo garantem uma oferta adequada para o abastecimento interno. A previsão é que o país encerre a safra, que vai até o final de janeiro de 2027, com estoques em torno ou até superiores a 12,5 milhões de toneladas.

Produção e Desempenho Regional

A produção esperada para a safra de inverno está próxima de 109 milhões de toneladas, mas esse número pode não ser alcançado. Estados como Goiás e Minas Gerais, que são fundamentais para a produção nacional, enfrentaram dificuldades devido à seca. Em contrapartida, Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, que tinham perspectivas ruins no início da safra, estão apresentando um desempenho satisfatório.

Consumo e Exportação

O consumo de milho no Brasil está aumentando, especialmente pela demanda crescente na indústria de etanol. Entretanto, as exportações enfrentam forte concorrência internacional, o que resulta em maior volume de produto disponível no mercado interno. Daniele Siqueira, analista da AgRural, aponta que a exportação deve se intensificar apenas no segundo semestre, mas a competição com os Estados Unidos e Argentina é desafiadora.

Concorrência Internacional

Os Estados Unidos e a Argentina estão colhendo safras recordes, o que pressiona o mercado. Os americanos devem encerrar a safra 2025/26 com impressionantes 432 milhões de toneladas, enquanto a Argentina espera colher 64 milhões de toneladas. A previsão é que o Brasil exporte cerca de 40 milhões de toneladas, inferior às 46 milhões estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Impactos Climáticos e Preços

A onda de calor na Europa pode afetar a produtividade e diminuir a produção de milho na região. Os EUA, com uma estrutura robusta para exportação, estão se beneficiando de preços competitivos, especialmente após a redução das vendas de soja para a China. Isso tem contribuído para um prêmio de exportação mais baixo para o milho americano.

Consumo de Milho para Etanol

O uso de milho para a produção de etanol deve alcançar 28,4 milhões de toneladas neste ano no Brasil, um aumento de 39% em relação ao ano anterior. Nos EUA, a aprovação da mistura de 15% de etanol está sendo aguardada, mas o processo é lento, pois muitos postos não estão adaptados para essa distribuição. Enquanto isso, o Departamento de Agricultura dos EUA (Usda) indica que a utilização de milho pelas usinas de etanol permanece estável em 142 milhões de toneladas por ano.