O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu renovar o sistema vigente de tarifa-cota para as importações de aço. A proposta de aumento das tarifas de 21 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) para 35% foi descartada, optando-se por manter as tarifas de 10,8% e 12% dentro das cotas e 25% fora delas. No entanto, houve uma redução nos volumes permitidos para determinadas categorias de produtos.

Contexto do Setor Siderúrgico

A decisão surge em um cenário onde as importações de aço aumentaram significativamente nos últimos anos, pressionando as margens das siderúrgicas brasileiras e reduzindo seu poder de precificação. Desde 2024, o governo tem implementado medidas para endurecer as barreiras comerciais, ampliando o sistema de cotas e aplicando medidas antidumping contra produtos provenientes da China.

Perspectivas do Mercado

De acordo com a análise do Bradesco BBI, a revisão do sistema de tarifas torna-o mais eficiente, embora menos rigoroso do que a proposta anterior de tarifa linear de 35%. Apesar disso, o banco não espera uma mudança significativa nas perspectivas do setor e continua a prever uma queda substancial nas importações de aço no Brasil nos próximos meses, impulsionada pelo endurecimento das barreiras comerciais e pelos efeitos do conflito no Oriente Médio.

Impacto nos Preços do Aço

O Goldman Sachs, por sua vez, destaca que os preços do aço no Brasil estão em ascensão, impulsionados principalmente pelo aumento dos custos e pelas medidas antidumping, que diminuíram a concorrência de produtos asiáticos. Mesmo com uma demanda ainda fraca e incertezas macroeconômicas, o banco enfatiza que aumentos moderados nos preços podem ter um impacto significativo nos lucros das siderúrgicas, dada a alta alavancagem operacional do setor.

Estimativas de Alta de Preços

O Goldman Sachs estima um potencial adicional de elevação nos preços do aço entre 5% e 10%. Além disso, cada aumento de 1% nos preços praticados pode resultar em um aumento do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) entre 2% e 8%.

Recomendações do Mercado

Recentemente, o Goldman Sachs elevou a recomendação da Usiminas para compra, considerando a maior exposição ao mercado brasileiro de aço e um valuation atrativo. A recomendação de compra para a Gerdau também foi mantida. No caso da CSN, o banco ressalta que os ganhos com aço não eliminam as pressões sobre o balanço e a liquidez da empresa.