As plataformas de entrega de comida chinesas DiDi, controladora do 99Food, e Meituan, operadora do Keeta, estão passando por um momento delicado em sua expansão no Brasil. O governo chinês, por meio do órgão de regulação do mercado (Samr), anunciou um projeto que pode impactar significativamente suas estratégias de marketing agressivas.
Novas Regras Propostas
Na quarta-feira (17), foi divulgada uma proposta de regulamentação que visa proibir as plataformas de obrigar comerciantes a participarem de campanhas de subsídios, como distribuição de cupons. A ideia é evitar a guerra de preços e a concorrência desleal, além de acabar com a prática de vender mercadorias abaixo do custo.
Essas novas diretrizes surgem após a imposição de multas administrativas a várias plataformas chinesas há dois meses, e pretendem regular a forma como os subsídios são concedidos no mercado. A intenção é garantir uma competição mais justa entre as empresas.
Desempenho Financeiro das Empresas
No início deste ano, DiDi e Meituan relataram perdas financeiras significativas. A DiDi, por exemplo, saiu de um lucro de US$ 349 milhões para um prejuízo de US$ 180 milhões, enquanto a Meituan enfrentou uma queda ainda mais acentuada, passando de um lucro de US$ 1,49 bilhão para um prejuízo de US$ 1,01 bilhão.
Ambas as empresas aumentaram seus gastos com vendas e marketing, com a DiDi gastando US$ 753 milhões (alta de 96%) e a Meituan US$ 3,4 bilhões (alta de 51%). Apesar do crescimento no volume de transações internacionais, o segmento ainda fechou o trimestre com perdas consideráveis.
Investimentos e Concorrência no Brasil
A estratégia de expansão dessas empresas no Brasil, que inclui ofertas de descontos e cupons, tem gerado preocupações entre os concorrentes locais. A 99Food, que está prestes a completar um ano no Brasil, anunciou investimentos de R$ 2 bilhões, enquanto a Keeta planeja R$ 5,6 bilhões. No entanto, a concorrência é acirrada, com a Abrasel destacando que o iFood controla uma fatia de mercado de até 93%.
Além disso, a 99Food e a Keeta estão em uma disputa no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre cláusulas de exclusividade com restaurantes, o que pode limitar a operação de novas plataformas no mercado. A Abrasel, que se alinha às queixas da Keeta, busca habilitação como terceira interessada na disputa.
Implicações para o Mercado de Delivery
A situação atual levanta questões sobre a sustentabilidade da guerra de preços no setor de delivery no Brasil. A concentração de mercado e as práticas contratuais das empresas já geraram preocupações acerca do poder de negociação dos restaurantes, que temem a perda de autonomia frente às grandes plataformas.
Com a recente proposta de regulamentação chinesa, o futuro das estratégias de marketing agressivas das plataformas de delivery no Brasil parece incerto, obrigando as empresas a se adaptarem a um novo cenário regulatório e competitivo.
