A pressão sobre os aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina está crescendo, com manifestações expressivas ocorrendo em países como Bolívia e Chile. O governo norte-americano observa atentamente essas movimentações, prevendo que as próximas eleições podem alterar o cenário político da região.

Protestos na Bolívia

Na Bolívia, desde o início de maio, a população tem se mobilizado nas ruas exigindo a saída do presidente Rodrigo Paz, que ocupa o cargo há cerca de seis meses. Paz, que conquistou a presidência em novembro de 2025 após a queda de um governo de esquerda que durou 20 anos, se viu em meio a uma crise devido às suas políticas que não atenderam as demandas dos movimentos sociais que o apoiaram.

O novo governo, que se posiciona no centro-direita, implementou medidas que favoreceram o agronegócio e a indústria, além de tentar aprovar uma lei que poderia comprometer a proteção de terras indígenas. Em resposta à pressão popular, Paz revogou a polêmica lei e tomou outras medidas, como reduzir seu salário e demitir ministros, mas as manifestações continuam fortes e podem ser reprimidas pelas Forças Armadas, caso um projeto de estado de exceção avance no legislativo.

Manifestações no Chile

Em paralelo, no Chile, o presidente José Antonio Kast, que assumiu em março, enfrenta protestos devido a um pacote de austeridade que visa cortar US$ 6 bilhões de gastos públicos em 18 meses. Estudantes e educadores lideram as manifestações, argumentando que as medidas ameaçam a educação e a saúde no país.

Declarações de Marco Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressou sua expectativa de mudanças políticas na América Latina que poderiam fortalecer a cooperação entre os EUA e os países da região. Durante uma audiência no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, ele mencionou a expansão da coalizão militar Escudo das Américas, criada para combater o tráfico de drogas e a insegurança na região.

Eleições iminentes

Com o cenário de protestos em vários países, três eleições importantes estão se aproximando: no Peru, o segundo turno para a presidência ocorrerá no domingo, envolvendo candidatos de diferentes espectros políticos; na Colômbia, o pleito ocorrerá em junho, com candidatos polarizados; e no Brasil, as eleições estão programadas para outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro se destacando nas pesquisas.

Interferência dos EUA

A América Latina se tornou uma prioridade para os EUA desde a ascensão de Trump, com a estratégia de segurança nacional destacando a região. A administração americana está focada em Cuba e Brasil, pressionando economicamente e militarmente. Recentemente, os EUA classificaram facções brasileiras como terroristas e reabriram um debate sobre tarifas comerciais, gerando preocupações sobre a soberania e a política interna do Brasil.