Na última quarta-feira (3), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, enfatizou que o petróleo não deve ser descartado em prol da transição energética, especialmente diante do recente conflito no Oriente Médio. Durante sua participação no Fórum Jurídico de Lisboa, ela afirmou que a guerra entre Estados Unidos e Irã trouxe à tona a importância do petróleo na segurança energética global.
Tensão entre transição e segurança
Chambriard argumentou que o conflito evidencia a necessidade de equilibrar a transição energética com a segurança energética, alertando que o Brasil deve considerar ambos os aspectos antes de acelerar a saída do petróleo. Segundo ela, "não é sensato descartar o que já foi construído em busca de um novo modelo que pode ser financeiramente inviável para a maioria das nações".
Matéria energética brasileira
Atualmente, o Brasil apresenta uma matriz energética com 54% de fontes renováveis, fruto de investimentos em etanol e biodiesel, liderados pela Petrobras. No entanto, a produção de petróleo continua sendo o principal produto de exportação do país, com um recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente produzidos por dia no primeiro trimestre.
Desafios financeiros da transição
Chambriard também destacou que a transição energética requer um investimento considerável, estimado em R$ 1,2 trilhão por ano nos próximos 25 anos. Em comparação, o país destina cerca de R$ 2 trilhões anualmente para diversas áreas, como saúde e infraestrutura. "É razoável investir mais da metade de todo o capital nacional apenas para substituir uma fonte que é nosso principal produto de exportação?", questionou.
Impactos do conflito no Oriente Médio
Sobre a guerra em andamento, a executiva acredita que o conflito pode paradoxalmente acelerar a transição para novas fontes de energia. A inserção de tecnologias inovadoras e o desenvolvimento de novos projetos são esperados, embora o processo ainda leve tempo devido à instabilidade atual.
Considerações finais
Chambriard alertou que a pressa em implementar a transição pode trazer consequências negativas. "Se essa carroça for posta na frente dos bois, vai entrar", concluiu, enfatizando a necessidade de um planejamento cuidadoso que não comprometa a segurança energética em prol de objetivos climáticos.
