A série de podcasts 'Dois Mundos', produzida pela Folha de S.Paulo, conquistou o prêmio no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, que visa valorizar trabalhos que defendem o meio ambiente e os direitos das comunidades indígenas. O anúncio ocorreu em uma cerimônia realizada no Itamaraty, em Brasília, nesta quinta-feira (11).
Reconhecimento e Contexto
O prêmio, promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, ocorre em um contexto de homenagem e reparação após o trágico assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em junho de 2022. Ambos foram mortos em uma emboscada na Terra Indígena Vale do Javari, região marcada por atividades ilícitas, como a pesca ilegal.
Detalhes do Podcast
'Dois Mundos' foi veiculado em quatro episódios entre 31 de maio e 21 de junho de 2025 e destacou-se ao conquistar o primeiro lugar na categoria de reportagem audiovisual, recebendo 176 inscrições. A série foi disponibilizada no Spotify e no site da Folha, e contou com a reportagem e apresentação de Vinicius Sassine, além da edição de som de Raphael Concli.
Investigação Reveladora
A série investigou a morte de Tadeo Kulina, um indígena que desapareceu de uma maternidade em Manaus e foi encontrado morto dias depois. A apuração trouxe à tona novas evidências sobre sua morte e criticou as falhas da Polícia Civil do Amazonas, que havia classificado o caso como um acidente e solicitado o arquivamento do inquérito. A repercussão da série motivou novas investigações, com o Ministério Público exigindo a reabertura do caso.
Outras Premiações
Além do Concurso Dom e Bruno, 'Dois Mundos' também recebeu prêmios em diversas categorias, incluindo o 47º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog e o 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, evidenciando sua relevância na cobertura de direitos humanos e ambientais.
Homenagem e Reflexão
A cerimônia de premiação foi marcada por homenagens aos familiares de Bruno e Dom, além de um pedido de desculpas do governo brasileiro pelos eventos trágicos. Bruno Pereira foi um servidor da Funai que enfrentou perseguições durante o governo anterior, e sua morte, junto à de Dom, gerou um clamor pela defesa dos direitos indígenas e jornalísticos.
