Um estudo recente, que envolveu a participação de 568 mil pessoas, aponta que o trabalho remoto, popularizado durante a pandemia, está associado a um aumento significativo do isolamento social e do sofrimento psicológico. Os pesquisadores destacam que esses efeitos podem levar anos para se manifestar completamente no bem-estar dos indivíduos.
Impactos do trabalho remoto
A pesquisa, publicada na renomada revista científica Science, revela que o home office não só aumenta o tempo que as pessoas passam sozinhas, mas também piora a saúde mental, conforme diversos indicadores. Os autores do estudo, provenientes de instituições como Harvard, da Universidade da Virgínia e do Banco da Reserva Federal de Nova York, afirmam que essa modalidade de trabalho eleva a procura por serviços de saúde mental e também as prescrições de medicamentos.
Adoção do home office
Desde a pandemia de covid-19, o trabalho remoto se tornou uma escolha comum entre os americanos, passando de 7% em 2019 para 28% em 2023. A análise dos dados, que abrange o período de 2011 a 2024, excluindo os anos de pico da pandemia, mostra um aumento geral no sofrimento psicológico, com cerca de um terço desse crescimento atribuído ao trabalho remoto.
Aumento do isolamento social
Antes da pandemia, as pessoas costumavam passar, em média, 5,4 horas por dia sozinhas em dias úteis. No entanto, aqueles que adotaram o home office começaram a ficar em isolamento por mais de uma hora a mais diariamente. O estudo destaca que essa solidão é ainda mais acentuada para os indivíduos que moram sozinhos, que, segundo a pesquisa, passaram a ter uma probabilidade de 83% de passar o dia inteiro sem qualquer contato social.
Consequências psicológicas
O sofrimento psicológico também aumentou consideravelmente entre os que vivem sozinhos, sendo aproximadamente duas vezes maior em comparação aos que moram com familiares. Apesar de um aumento na socialização fora do trabalho, o ambiente laboral ainda se mostra como uma fonte importante de interação, segundo os pesquisadores.
Demanda por serviços de saúde mental
Além do aumento do sofrimento psicológico, o estudo constatou que a frequência de depressão subiu, assim como a busca por serviços de saúde mental e a prescrição de antidepressivos. Os dados mostram que trabalhadores em home office têm 4,6% mais chances de procurar esse tipo de atendimento em comparação aos que trabalham presencialmente. Contudo, a pesquisa também descarta a ideia de que o trabalho remoto facilitou o acesso a consultas médicas, observando que as consultas de rotina diminuíram.
Preferência pelo home office
Ainda assim, a pesquisa revela que uma parte significativa dos trabalhadores prefere o home office. Um levantamento de 2024 indica que 24% dos profissionais consideram o trabalho remoto ideal e muitos estão dispostos a aceitar cortes salariais em troca dessa flexibilidade. Os autores alertam, no entanto, que esses trabalhadores podem não estar plenamente cientes das implicações a longo prazo de sua escolha sobre a saúde mental.
