A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 foi aprovada pela Câmara nesta quarta-feira (27) e agora segue para o Senado, onde seu futuro permanece incerto. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado que não pretende barrar a proposta, mas a falta de clareza sobre a tramitação gera preocupações na base do governo Lula.
Divisão na Oposição
A oposição está fragmentada em relação à PEC. O líder do grupo no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), é contra a proposta, mas parte de seu partido defende uma abordagem semelhante à dos bolsonaristas na Câmara, propondo uma nova escala de trabalho de 4x3, sem transições.
O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, tem mantido diálogo com Alcolumbre para que a PEC seja pautada rapidamente, com a expectativa de votação na próxima semana. No entanto, a presença de um feriado pode atrasar esse processo, e Alcolumbre anunciou que a tramitação seguirá um caminho normal, sem a necessidade de uma comissão especial.
Mobilização do Governo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu com Alcolumbre e garantiu que a discussão não será travada, embora detalhes sobre a votação ainda sejam escassos. A aprovação expressiva da PEC na Câmara, com 472 votos a favor, fortalece a pressão sobre os senadores para que avancem com a discussão.
Uma nova conversa entre Guimarães e Alcolumbre está programada para esta quinta-feira (28), com o objetivo de definir uma data para a votação. O governo também planeja uma mobilização nas redes sociais para incentivar os senadores a aprovar a PEC.
Relações Tensas e Apostas Eleitorais
As relações entre Alcolumbre e Lula estão tensas, especialmente após a rejeição do advogado-geral da União ao STF. Apesar disso, há indícios de que Alcolumbre busca melhorar a relação com o governo, e pautar a PEC poderia ser um gesto de boa vontade.
A popularidade da proposta é outro fator a ser considerado. Uma pesquisa recente revelou que 68% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, o que pode influenciar a decisão dos senadores em um ano eleitoral. O governo acredita que um eventual bloqueio à votação da PEC poderia ser usado como uma ferramenta de campanha, reforçando a narrativa de um "Congresso inimigo do povo".
Desafios para a Oposição
A oposição enfrenta o dilema de como agir em relação à PEC. Enquanto alguns senadores podem seguir a recomendação de Marinho e votar contra, há outros que podem optar por apoiar a nova escala, temendo a reação negativa dos eleitores. Além disso, a possibilidade de criar uma comissão especial para atrasar a votação também é debatida.
A resistência da oposição é ampliada pelo sucesso da PEC na Câmara, onde obteve mais de 460 votos favoráveis. O governo monitora a situação, sabendo que, se conseguir mais de 450 votos, o Senado terá dificuldades em barrar a proposta.
