O fundador e presidente-executivo do SoftBank, Masayoshi Son, rejeitou de forma enfática as comparações entre o atual boom da inteligência artificial e uma bolha financeira. Durante a assembleia geral anual do conglomerado japonês, realizada nesta quarta-feira em Tóquio, o executivo afirmou que a tecnologia ainda dá seus primeiros passos e que o pessimismo sobre o setor está equivocado.

"Acho que é uma blasfêmia contra a IA dizer que isso é uma bolha", declarou Son aos acionistas. Para ele, qualquer discurso que aponte exagero nos investimentos representa "um insulto" ao potencial da tecnologia. "É apenas o começo. O potencial da IA ainda será desbloqueado", completou o empresário.

Aposta total na OpenAI

As declarações acontecem em meio a um cenário em que o avanço dos aportes em inteligência artificial elevou de forma expressiva o valor de mercado de diversas empresas do segmento. Investidores, porém, têm questionado se essa valorização é sustentável no longo prazo. No caso do SoftBank, a alta recente das ações está diretamente ligada à aposta de Son na OpenAI, criadora do ChatGPT.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, o executivo já atravessou diversos ciclos de euforia e queda nos mercados, entre eles a bolha da internet, no fim dos anos 1990, e a forte desvalorização de seu portfólio durante a pandemia de Covid-19, período que ele apelidou de "vale do coronavírus".

Robôs, energia e data centers

Além da inteligência artificial, o SoftBank mantém investimentos em robótica e está construindo centros de dados nos Estados Unidos. Son revelou ainda que o grupo iniciou a fabricação de robôs em sua chamada "fábrica física de IA", com um anúncio mais detalhado prometido para breve, embora sem dar informações adicionais. "Acho que somos os primeiros do mundo a ter robôs fabricando robôs em grande escala", afirmou.

O executivo também demonstrou interesse em ampliar a atuação do grupo no setor de energia no Japão. Ele citou a Tokyo Electric Power Co (TEPCO), que busca atrair capital externo, como uma possível parceira. "Se a TEPCO se juntasse ao nosso grupo, aumentaríamos o fornecimento de energia e traríamos centros de dados com IA para o Japão", disse.

A "galinha dos ovos de ouro"

Fiel ao estilo, Son voltou a recorrer a metáforas para defender o valor do SoftBank, que costuma descrever como uma "galinha dos ovos de ouro". "Os ovos não botam ovos, a gansa bota os ovos", comparou. "O SoftBank Group é a fábrica que bota os ovos." Ele reclamou da diferença entre a capitalização de mercado da companhia, de cerca de 37 trilhões de ienes (US$ 229 bilhões), e o valor de seus ativos, estimado em cerca de 74 trilhões de ienes. "Por quanto tempo terei que insistir para te convencer de que o ganso fez um bom trabalho?", questionou.

Meta da superinteligência

Aos 68 anos, Son afirmou que pretende liderar a empresa pelo menos até os 70 para alcançar o que chama de "superinteligência artificial", definida por ele como uma capacidade 10 mil vezes superior à de um ser humano. "Tornei-me mais ambicioso. Gostaria de fazer mais nos próximos 10 a 15 anos. Vou me manter saudável enquanto puder", declarou.

A assembleia também teve momentos curiosos. Uma acionista, que se apresentou como uma "simples dona de casa", pediu que o executivo indicasse seu filho ao conselho de administração. "Você tem grande visão e talento. Gostaria que meu filho se tornasse como você", afirmou. Diplomático, Son respondeu apenas: "Vou levar isso em consideração."