O Papa Leão XIV, durante a Missa de Pentecostes realizada na Basílica de São Pedro, fez um pedido inédito de perdão pelo envolvimento da Igreja na legitimação da escravidão. Ele descreveu essa mancha na história da Santa Sé como uma "ferida na memória cristã", destacando a necessidade de confrontar esse passado.

Embora papados anteriores já tenham se desculpado pelo envolvimento de cristãos no tráfico de escravizados, foi a primeira vez que um papa reconheceu formalmente o papel da Igreja na autorização da escravidão de não cristãos. Leão XIV, que tem raízes familiares ligadas tanto a escravizados quanto a proprietários de escravos, fez essa declaração em sua encíclica "Magnifica Humanitas".

Na encíclica, Leão XIV conectou a história do tráfico transatlântico com novas formas de exploração, mencionando o trabalho não regulamentado na extração de minerais raros para tecnologias modernas, como a inteligência artificial. Ele reforçou a importância de reconhecer o sofrimento infligido a tantos ao longo da história.

O Vaticano, que já repudiou a Doutrina da Descoberta, ainda não anulou as bulas papais que facilitaram a escravidão no passado. Leão XIV enfatizou que a Igreja deve condenar todas as formas de exploração contemporânea para evitar repetir os erros do passado e reafirmou a dignidade de todos os seres humanos como filhos de Deus.