O Papa Leão XIV deu um importante passo nesta quinta-feira, 18 de junho, ao autorizar a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas do Padre Júlio Maria De Lombaerde. O missionário belga, que deixou uma marca significativa em Manhumirim, Alto Jequitibá e outras áreas do Brasil, agora recebe o título de Venerável, avançando em sua jornada rumo à canonização na Igreja Católica.

Quem foi Padre Júlio Maria?

Nascido em 7 de janeiro de 1878, em Waregem, na Bélgica, Júlio Emílio Alberto De Lombaerde chegou ao Brasil em 1913, atuando como missionário da Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Sua trajetória religiosa ganhou destaque em Manhumirim, onde ele chegou em 1928 e começou a fundar importantes congregações e instituições.

Fundação de congregações e obras sociais

Em 25 de março de 1929, Padre Júlio estabeleceu a Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, atualmente conhecida como Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. No mesmo ano, ele criou as Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora e, posteriormente, as Filhas do Coração Imaculado de Maria, também chamadas de Irmãs Cordimarianas. As três congregações continuam ativas e formam a Família Julimariana.

Legado e contribuição social

Além do trabalho missionário, o sacerdote fundou escolas, hospitais, e diversas obras sociais que beneficiaram a população carente. Ele também foi responsável pela criação do jornal O Lutador e escreveu mais de 80 obras sobre espiritualidade, catequese e defesa da fé católica.

Reconhecimento do Vaticano

O decreto do Vaticano confirma que Padre Júlio viveu de maneira heroica as virtudes da fé, esperança, caridade, e outros valores importantes. Segundo o padre Heleno Raimundo da Silva, presidente do Instituto Padre Júlio Maria, essa decisão marca uma importante fase no processo de beatificação, onde ele deixa de ser Servo de Deus para se tornar Venerável.

Próximos passos da beatificação

A fase diocesana da causa foi iniciada em janeiro de 2015 na Diocese de Caratinga. Após a coleta de documentos e testemunhos, a documentação foi enviada ao Vaticano em 2017, dando início à fase romana. Para a beatificação de Padre Júlio Maria, é necessário que a Igreja reconheça um milagre atribuído à sua intercessão. Um segundo milagre será necessário para a canonização.