A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação que resultou na Operação Exchange, a qual visa desmantelar uma rede de lavagem de dinheiro liderada por Victor Henrique de Oliveira Shimada. O empresário, atualmente foragido e sob sanções dos Estados Unidos, estaria operando em pelo menos sete países com o objetivo de ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Movimentações financeiras em diversos países
O esquema, que envolve mais de 70 empresas, teria movimentado cerca de R$ 10,4 bilhões. De acordo com documentos obtidos pela PF, Shimada utilizava o pseudônimo "Bryan Willians" em grupos de WhatsApp para gerenciar transações financeiras. Em uma das conversas, foi encontrada uma planilha detalhando operações que totalizavam US$ 7,54 milhões em várias cidades dos EUA, incluindo Houston e Los Angeles.
Atuação internacional
A investigação revelou que as atividades do grupo não se restringiam ao Brasil e aos Estados Unidos, com registros de operações em países como Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Um dos membros da organização, Ygor Fokin Saviolli, mencionou uma reunião na Colômbia que tratou de coleta de milhões de dólares em cidades americanas.
Estratégias de ocultação
Segundo a PF, há indícios de que Shimada atuava como um doleiro, facilitando transações em diferentes nações e gerenciando a entrega e recebimento de dinheiro em espécie. Entre os envolvidos estão familiares, como sua prima Stella Stefanie Nunes, que foi presa e atuava na coordenação de operações internacionais.
Planilhas e operações financeiras
Conversas atribuídas a Stella mostram que ela gerenciava movimentações financeiras ligadas a diversos países, com menções a remessas codificadas como "Lisboa". Em Portugal, Carlos Henrique Costa Almeida, outro investigado, recebia e guardava euros para o grupo. Mensagens entre ele e Shimada revelam discussões sobre grandes quantidades de euros a serem movimentadas.
Mercado paralelo e criptomoedas
As análises também revelaram tratativas sobre câmbio paralelo no Paraguai e Argentina. Um dos investigados sugeriu a Shimada uma operação em Assunção, e foi identificado que a organização utilizava diversas plataformas, incluindo criptomoedas, para dificultar o rastreamento das operações. O uso de empresas de fachada e aplicativos criptografados também era parte da estratégia.
Conclusão da investigação
Segundo a PF, Victor Henrique de Oliveira Shimada era o principal responsável pelo núcleo financeiro do esquema, utilizando empresas como Victory Trading e Pixwave para movimentações. As conversas analisadas demonstram a complexidade e a amplitude das operações realizadas pela organização criminosa.
