A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação de uma nova terapia destinada a pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 25, e representa a primeira inovação nesse segmento no Brasil em aproximadamente 15 anos.
Detalhes do tratamento
O novo tratamento combina duas substâncias, foscarbidopa e foslevodopa, derivadas da levodopa, que é o principal medicamento utilizado para controlar os sintomas motores da doença. A terapia será comercializada sob o nome de Vyalev pela farmacêutica AbbVie.
Infusão contínua de levodopa
De acordo com a AbbVie, a terapia é a primeira e única aprovada pela Anvisa que utiliza infusão subcutânea contínua de levodopa por 24 horas, com o objetivo de manter níveis mais estáveis do medicamento no organismo. Isso pode ajudar a reduzir as oscilações motoras frequentemente observadas nas fases mais avançadas da doença.
Desafios enfrentados pelos pacientes
Conforme a doença de Parkinson avança, os pacientes tendem a alternar entre períodos em que os sintomas estão controlados, chamados de momentos “on”, e fases em que a eficácia do medicamento diminui, resultando em tremores e rigidez, conhecidos como períodos “off”. A nova terapia é indicada especialmente para aqueles que não obtêm resposta satisfatória com os comprimidos tradicionais de levodopa.
Alternativa cirúrgica
A AbbVie também destaca que o medicamento se apresenta como uma alternativa para pacientes que não podem ou não desejam realizar a cirurgia de estimulação cerebral profunda, um procedimento indicado em casos mais avançados da doença. Estima-se que até 60% dos pacientes tenham contraindicações para a cirurgia devido a condições como demência ou problemas de marcha.
Resultados de estudos clínicos
A aprovação da Anvisa foi fundamentada em um estudo de fase 3 que envolveu cerca de 130 pacientes com Parkinson avançado, os quais foram acompanhados por 12 semanas. Os resultados mostraram que os pacientes que receberam a infusão contínua apresentaram um aumento significativo no tempo sem sintomas motores incapacitantes, além de uma redução nos períodos “off” em comparação ao tratamento com levodopa oral tradicional.
