A terapia CAR-T Cell, desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto em colaboração com o Instituto Butantan, apresentou resultados animadores em pacientes com linfoma não Hodgkin. De acordo com os dados preliminares divulgados pelo Ministério da Saúde, 87,5% dos participantes do estudo mostraram uma redução significativa ou até mesmo a remissão completa da doença.

Como funciona a terapia

Esse método inovador utiliza as células de defesa do próprio paciente, que são geneticamente modificadas em laboratório para combater o câncer. A pesquisa, liderada pela Universidade de São Paulo (USP), visa não apenas avaliar a eficácia da terapia, mas também assegurar sua segurança e monitorar possíveis efeitos adversos.

Resultados surpreendentes

Os novos dados indicam que a terapia tem potencial para ajudar uma grande parte dos pacientes. Rodrigo Calado, professor de Hematologia da USP e um dos responsáveis pelo estudo, destacou que a taxa de resposta de 87,5% superou as expectativas iniciais. O professor também mencionou que há planos para aplicar a terapia a pacientes com doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis, com estudos clínicos programados para começar em breve.

Próximos passos da pesquisa

Os pesquisadores pretendem recrutar pelo menos 100 pacientes para o estudo, com a meta de produzir células CAR-T para 81 deles. Até o momento, 75 pacientes já foram incluídos na pesquisa, sendo que 25 já receberam a infusão do tratamento. Uma rede de hospitais do SUS está sendo criada para capacitar profissionais para o uso dessa nova terapia, abrangendo instituições em diversas capitais.

Histórias de pacientes

Entre os pacientes tratados, destaca-se Paulo Peregrino, que, após receber o tratamento em 2023, continua em remissão total do linfoma. Sua trajetória, que começou com cuidados paliativos, foi transformada pela terapia, permitindo-lhe retomar suas atividades normais, como jogar vôlei de praia e celebrar seu aniversário com amigos e familiares.

Considerações finais

Com a expectativa de que a terapia CAR-T Cell seja incorporada ao SUS em breve, os pesquisadores ressaltam a importância de continuar o diálogo com a Anvisa para garantir a aprovação e o registro do tratamento. Pacientes interessados em participar do estudo devem conversar com seus médicos e entrar em contato com a equipe do Hemocentro da USP.