Natalia Timerman, uma psiquiatra e escritora de destaque, acaba de lançar seu novo livro intitulado 'Antes que Apague'. Nele, a autora aborda a relação entre mães e filhas que enfrentam o desafio do Alzheimer. A protagonista da história, assim como a própria autora, é uma mulher judia e mãe de dois filhos que cuida de sua mãe acometida pela doença, mas a autora ressalta que a narradora não representa sua vida pessoal.
Reflexões sobre o ato de escrever
Em uma entrevista, Timerman expressou seu desconforto em discutir sua vida íntima quando questionada sobre seus livros. Ela afirma que não tem intenção de continuar escrevendo sobre sua família, alegando que a exposição de temas pessoais traz um custo emocional elevado. 'Tem algo de muito íntimo nos meus livros, mas isso me custa muito', declarou.
Diversamente de seu trabalho anterior, 'As Pequenas Chances', onde explorava o luto pela perda do pai, a nova protagonista não carrega o nome da autora, uma decisão que reflete um esforço deliberado de se distanciar de sua própria história.
A recepção e a intenção ficcional
Timerman desejava que 'Antes que Apague' fosse uma discussão ficcional, embora reconheça que a percepção do público não está sob seu controle. Este é o primeiro livro da autora pela Companhia das Letras, enquanto os trabalhos anteriores permanecem com a editora Todavia. Os novos projetos, no entanto, seguirão pela nova editora.
Segredos e a complexidade das relações
Na narrativa, a filha se vê diante da decisão de escrever sobre um segredo intrigante da juventude de sua mãe. Timerman, ao compartilhar sua própria intimidade, admite que essa escolha a causa grande angústia e noites em claro. Com a publicação, a autora espera compreender melhor suas experiências.
Ainda que a escrita muitas vezes ocorra em solidão, Timerman sentiu a necessidade de interagir com o público e, por isso, participará de um evento na Feira do Livro, no Pacaembu, onde discutirá sua obra com Camila Appel, uma amiga de infância.
Uma jornada de autodescoberta
O enredo do livro revela como a narradora descobre um segredo sem a autorização da mãe, o que a leva a investigar o passado familiar. O acontecimento, que remonta a 1976, impulsiona a protagonista a reconstruir eventos, refletindo sobre a complexidade da memória e da experiência humana. Timerman acredita que quanto mais pessoal é uma história, mais ela se torna universal.
Durante o processo de escrita, a autora se dedicou intensamente, até mesmo se isolando de responsabilidades cotidianas, como responder e-mails, para se concentrar no desenvolvimento do livro. 'Foi um momento idílico, como entrar em outro tempo', compartilhou.
Na dedicatória, Timerman expressa seu amor pela mãe: 'Este livro é para você'. No primeiro capítulo, a narradora expande essa ideia, afirmando que escreve tanto para, quanto contra e por sua mãe, refletindo sobre as múltiplas dimensões da relação entre ambas.
A autora conclui que o vínculo entre mães e filhas é uma das relações mais complexas que existem. O Alzheimer, paradoxalmente, pode simplificar essa relação, permitindo que a ambivalência se transforme em um amor mais puro.
