No Distrito Federal, um encontro nacional com mais de 500 mulheres quilombolas de diversas partes do país iniciou com o lançamento do "Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos". O evento, que acontece na região administrativa do Gama até o dia 14, celebra os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Necessidade de políticas públicas
Um dos principais aspectos abordados no plano emergencial é a urgência de implementar políticas públicas que atendam às necessidades dessas comunidades. O documento reúne diversas demandas que devem ser atendidas por diferentes esferas do governo.
Garantias de proteção e direitos
A Conaq solicita garantias de proteção coletiva e territorial, além de análises que considerem gênero e raça. O plano também enfatiza a importância dos direitos sociais e da infraestrutura adequada, promovendo a valorização das práticas e saberes quilombolas.
Respostas a riscos enfrentados
Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, aponta que a proposta visa responder ao aumento de conflitos agrários e ambientais que afetam as lideranças femininas quilombolas. O plano inclui ações práticas, como a criação de uma cartilha pedagógica e a implementação de formações integradas para fortalecer a articulação política dessas mulheres.
Filme documentário e diálogo
Durante o evento, também foi exibido o filme documentário "Cafuné", que retrata as tensões enfrentadas por lideranças comunitárias e as consequências trágicas, como a morte de Mãe Bernadete em 2023. A produção faz parte de um projeto da Conaq que será apresentado a autoridades.
Encontro para compartilhar lutas
A coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, destacou a importância do encontro para partilhar as dores, lutas e ideias das mulheres. A jornalista Maria Júlia Coutinho foi convidada a discutir comunicação, ressaltando a necessidade de celebrar a vida nas comunidades quilombolas.
Justiça climática e ancestralidade
O lema do evento, "Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia", reflete a urgência de proteger os biomas brasileiros e unificar estratégias contra os impactos das mudanças climáticas. O encontro também serve como plataforma para agricultoras, benzedeiras e parteiras, promovendo a diversidade dos produtos dos biomas.
