Larissa Lima Barros, de 29 anos, é um exemplo da realidade de muitas mulheres brasileiras. Casada e mãe de duas crianças pequenas, ela gerencia uma carreira CLT e três empresas, além de cuidar dos pais. Larissa expressa a pressão constante que enfrenta, enfatizando que não se permite adoecer devido à sobrecarga de responsabilidades.
Dados sobre a Participação Feminina
Conforme dados do IBGE, as mulheres chefiavam 49,1% dos lares brasileiros em 2025, e sua presença no mercado de trabalho formal atingiu 41,4%. Contudo, ao considerar apenas as tarefas domésticas, as mulheres dedicam, em média, 40 horas mensais a mais que os homens. Além disso, elas recebem salários 21,3% inferiores aos dos homens.
Construção Histórica da Sobrecarrega
A historiadora e socióloga Rosana Schwartz aponta que a figura da mulher como cuidadora é uma construção histórica. O crescimento da participação feminina em cargos de liderança, que começou na década de 1970, trouxe à tona a exaustão que muitas enfrentam, com um discurso emergente sobre a intensidade dessa carga de trabalho.
Desafios na Vida Familiar
Na dinâmica familiar, Larissa percebe a diferença entre gerações. Sua mãe, com uma visão mais tradicional, a incentiva a valorizar o papel do marido como provedor. Entretanto, Larissa destaca que, sem sua contribuição nas tarefas domésticas, a rotina da família não funcionaria. Isso a leva a se sentir sobrecarregada e, por vezes, deprimida.
Impacto Econômico do Trabalho Invisível
Estudos indicam que, se o trabalho invisível desempenhado por mulheres fosse contabilizado, poderia adicionar cerca de 8,5% ao PIB do Brasil. A economista Ana Luiza de Holanda Barbosa ressalta que a carga de trabalho não remunerada recai desproporcionalmente sobre mulheres negras, que muitas vezes não têm a opção de terceirizar essas tarefas.
Avanços e Desafios das Políticas Públicas
Em 2024, a Política Nacional de Cuidados foi instituída, visando garantir direitos iguais no que diz respeito ao cuidado familiar. No entanto, a implementação dessa política depende do comprometimento dos governos e de uma mudança cultural que desnaturalize o trabalho invisível como uma responsabilidade exclusiva das mulheres, conforme avalia a professora Monalisa Nascimento.
