Belo Horizonte se tornou um ponto estratégico para o tráfico de drogas, com o crescimento das atividades do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) ao longo dos últimos anos. As facções, originárias do Rio de Janeiro e de São Paulo, respectivamente, têm utilizado Minas Gerais como um corredor para o transporte de cocaína e maconha, além de armas, devido à sua localização geográfica entre estados e rotas de tráfico.

Decisão dos EUA e reações locais

No dia 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. Essa decisão provocou reações diversas no Brasil, especialmente entre os políticos. O governador de Minas, Mateus Simões, afirmou que a medida apenas reconhece uma realidade já conhecida pelas forças de segurança. Ele enfatizou que o governo não tolerará a presença do crime organizado no estado.

Expansão das facções em Minas

Segundo o delegado André Santos Pereira, as facções estão se expandindo para regiões além das capitais, dominando áreas no interior do estado e impondo sua autoridade sobre atividades lícitas. O CV, por exemplo, tem presença significativa na Zona da Mata e em Belo Horizonte, enquanto o PCC se destaca no Triângulo Mineiro e no Sul de Minas.

Conflitos territoriais em Belo Horizonte

A ruptura da aliança entre PCC e CV em abril de 2025 desencadeou uma série de confrontos por território em áreas como o Aglomerado da Serra e o Barreiro. Moradores relatam um clima de tensão constante, com frequentes tiroteios e invasões de facções, além de ações policiais para tentar recuperar o controle das regiões afetadas.

Operações policiais e resultados

O governo de Minas tem promovido operações integradas para combater o tráfico, como a Operação Ícaro III, que resultou em mais de 200 mandados de prisão e a apreensão de bens. De janeiro a novembro de 2025, a polícia retirou mais de 12 mil armas de circulação e registrou um aumento no número de procedimentos relacionados ao tráfico.

Impacto da decisão americana

A inclusão de PCC e CV na lista de terroristas pelos EUA pode resultar em sanções financeiras e um maior isolamento das facções. O governo de Minas busca parcerias regionais para conter o tráfico, destacando a importância de ações coordenadas entre diferentes forças de segurança para enfrentar a criminalidade organizada.