Uma operação policial realizada na última quinta-feira (28) desvendou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 4 bilhões no setor de combustíveis. As investigações, conduzidas pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), começaram a partir de uma rede de postos de combustíveis e padarias, levando a uma complexa teia de empresas envolvidas.
Operação Carbono Oculto
A investigação, que culminou na operação Carbono Oculto em agosto do ano passado, revelou que o esquema envolvia fornecedores de petróleo e portos secos em várias regiões do Brasil. Documentos e equipamentos apreendidos durante a operação inicial levaram a novas descobertas, incluindo operadores logísticos e fornecedores de nafta, um derivado do petróleo utilizado na adulteração da gasolina.
Líder do esquema
Os promotores identificaram Mohamad Mourad, conhecido como Primo, como um dos principais responsáveis pelo tráfico de combustível adulterado. Até o fechamento desta matéria, o advogado de Mourad não havia se pronunciado. O esquema se fundamentava na venda de combustíveis adulterados, cujo preço era inferior ao da gasolina, permitindo assim a movimentação de grandes quantias financeiras.
Fintechs e contas-bolsão
O primeiro passo do circuito envolvia a transferência de recursos dos postos de combustíveis para instituições de pagamento via fintechs. O MPSP destacou que contratos financeiros associados ao grupo de Mourad envolveram diversas fintechs, incluindo BK Bank e S4, totalizando R$ 4 bilhões. Um grupo no WhatsApp com cerca de 20 integrantes facilitava a gestão dessas transações.
Normas do Banco Central
Os suspeitos utilizavam contas-bolsão, onde uma fintech abre uma conta em um grande banco em seu nome, permitindo que os clientes movimentassem dinheiro sem identificação clara. Uma norma do Banco Central de 2021 possibilitou esse tipo de operação, mas novas regulamentações estão sendo implementadas para fechar essa brecha, exigindo autorização prévia para qualquer instituição de pagamento.
Blindagem de bens
Após a movimentação inicial, os recursos eram direcionados a fundos de investimento que dificultavam o rastreamento. O MPSP está investigando quatro fundos que, nos últimos 12 meses, triplicaram seu patrimônio, atingindo R$ 205 milhões. As gestoras de recursos envolvidas permitiram a blindagem de bens adquiridos, como propriedades e veículos de luxo, para beneficiar os operadores do esquema.
Uso de laranjas
A investigação também revelou que o uso de laranjas era comum, com algumas instituições de pagamento registradas em nome de pessoas com renda mínima. A fintech Smart Solutions, por exemplo, movimentou mais de R$ 1 bilhão em depósitos, volume incompatível com o perfil de seus proprietários. A Receita Federal está cruzando dados para identificar os beneficiários finais e desmantelar a rede criminosa.
