O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca em breve para Évian-les-Bains, na França, onde participará da Cúpula do G7, tendo esta sido sua 10ª participação como convidado. O G7 é formado por grandes economias, incluindo Estados Unidos, Japão e Alemanha, e ocorrerá entre os dias 15 e 17 de junho.

Agenda de Lula no G7

Durante a cúpula, Lula participará de três eventos significativos. No dia 16, ele fará uma apresentação sobre parcerias internacionais voltadas para o desenvolvimento, com foco na necessidade de aumentar a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), que visa apoiar países em situação de vulnerabilidade.

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough ressaltou que a AOD tem diminuído nos últimos anos, o que gera preocupação, especialmente para nações em desenvolvimento que dependem dessa ajuda. O G7, sob presidência francesa, deve elaborar uma declaração conjunta para reforçar a importância dessa assistência internacional.

Reforma da Governança Global

No dia 17, em outra sessão, Lula discutirá o crescimento econômico equilibrado e a urgente necessidade de reformar instituições globais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e as Nações Unidas (ONU). Ele enfatizou a importância de fortalecer a ONU em vez de desmantelá-la, visando restaurar a confiança nas instituições multilaterais.

A declaração de Lula veio após a sugestão dos EUA de taxar 25% sobre algumas importações brasileiras, o que gerou preocupações sobre práticas comerciais desleais. A intenção é abordar esses desafios durante a cúpula e buscar um diálogo construtivo.

Inteligência Artificial no G7

A comitiva brasileira também participará de um almoço temático sobre Inteligência Artificial no dia 17. O embaixador Gough mencionou que o Brasil apresentará sua perspectiva sobre as oportunidades e riscos da IA, um tema que está em discussão no Congresso Nacional.

Um projeto de lei em tramitação no Brasil visa regular a IA, assegurando que a tecnologia respeite princípios éticos e direitos humanos, além de promover inovação e concorrência. O Brasil se posiciona como um ator relevante na discussão sobre a regulação da IA globalmente.

Pauta do G7 e Participação Brasileira

Embora o Brasil não tenha poder de decisão nas negociações do G7, sua contribuição será relevante em debates sobre parcerias internacionais, crescimento econômico sustentável e proteção de crianças no ambiente digital. O Brasil já possui uma legislação avançada, o ECA Digital, que pode servir de exemplo.

Os temas que também estarão em debate incluem o combate ao narcotráfico, a luta contra o câncer e a exploração de minerais críticos, um setor de interesse para o Brasil, que possui grandes reservas desses recursos naturais.