Durante a Conferência Internacional do Trabalho em Genebra, o diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, defendeu que os lucros provenientes da inteligência artificial (IA) precisam ser redistribuídos de maneira justa entre os trabalhadores. Ele destacou que a tecnologia está mudando a dinâmica do mercado de trabalho, influenciando tanto a criação de valor quanto a tomada de decisões.

Lucros e Direitos Trabalhistas

Segundo Houngbo, é essencial que os trabalhadores tenham acesso a uma parte dos lucros gerados pela produtividade da IA. Ele argumentou que essa distribuição deve se traduzir em melhores salários, proteção trabalhista ampliada e um crescimento econômico mais inclusivo para todos.

A discussão sobre a divisão de lucros ganhou destaque recentemente, especialmente após os trabalhadores da Samsung, na Coreia do Sul, ameaçarem uma greve de 18 dias. O resultado foi um acordo que garante a esses trabalhadores 10,5% do lucro operacional da empresa, que saltou de 1,1 trilhão de won para 57,2 trilhões de won no primeiro trimestre de 2025.

Impactos da IA no Emprego

Apesar do crescimento da IA, a maioria das instituições econômicas, como o Banco Central Europeu, aponta que a tecnologia teve efeitos limitados sobre o emprego até agora. Houngbo alerta que o futuro do trabalho será moldado não apenas pela tecnologia, mas pelas políticas e instituições que a cercam, além do diálogo social necessário.

O diretor enfatizou que as escolhas feitas atualmente determinarão se a IA ampliará as oportunidades de prosperidade compartilhada ou se, ao contrário, aprofundará as desigualdades e a insegurança no mercado de trabalho.

Medidas Propostas

Entre as ações sugeridas por Houngbo estão o investimento em capacitação profissional, o fortalecimento da proteção social e trabalhista, além do apoio a micro, pequenas e médias empresas. Ele ressaltou que é uma questão de decisão social e política sobre o futuro que desejamos construir.

Tratado para Trabalhadores de Plataformas

A OIT, que conta com 187 Estados-membros, realiza reuniões em Genebra de 1º a 12 de junho, onde um dos temas centrais é a finalização de um novo tratado internacional voltado para trabalhadores de plataformas digitais. Essa iniciativa é considerada um avanço vital para abordar as novas modalidades de trabalho e garantir proteção e inovação adequadas.

Os trabalhadores dessas plataformas, muitas vezes classificados como contratados independentes, enfrentam desafios como a falta de acesso a direitos trabalhistas básicos, incluindo salário mínimo e seguridade social, conforme apontado por organizações de direitos humanos.