No Brasil da década de 1970, a presença feminina nos estádios de futebol era quase inexistente. No entanto, cinco irmãs de Sorocaba desafiaram essa realidade ao fundar a primeira torcida organizada do São Bento. Quase 50 anos depois, a história dessas pioneiras foi transformada em livro pelos alunos de jornalismo Fabrício Rocha e Maria Eduarda Baddini, intitulado 'Irmãs Ramalho: futebol no DNA'.

A trajetória das irmãs Ramalho

Durante o desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso, Fabrício e Maria Eduarda descobriram relatos fascinantes sobre as Irmãs Ramalho, que vão além do São Bento. Um dos destaques é a participação delas na famosa 'Invasão corintiana' de 1976, quando a torcida do Corinthians invadiu o Maracanã em uma semifinal do Campeonato Brasileiro. Elas se destacaram ao abrir uma faixa apoiando o time, o que resultou em um coro ensurdecedor a favor do São Bento.

Curiosidades e desafios enfrentados

O livro também revela episódios intrigantes das irmãs, como a história relacionada à morte de José Barbosa Beraldo, ex-presidente do São Bento. Após seu assassinato em 1975, o clube atravessou uma fase de derrotas, e a falta de uma foto sua na galeria dos ex-presidentes foi apontada como uma maldição. Maria Helena, uma das irmãs, conseguiu pendurar a foto de Beraldo na galeria, e a partir daí, o time voltou a vencer.

Descobertas fotográficas

Os estudantes também encontraram uma foto rara das irmãs em um jogo contra o XV de Piracicaba, em que a presença de torcedores era proibida. Rosa e Maria Helena foram fotografadas e a imagem acabou sendo publicada na revista Placar em 1977, uma descoberta que trouxe grande alegria para elas, que acreditavam que a foto estava perdida.

Legado e impacto

Fabrício e Maria Eduarda desejam eternizar o legado da torcida Tira Prosa e das irmãs Ramalho com este trabalho, que revela uma parte importante da história do futebol brasileiro. Eles acreditam que a obra ajudará a reconhecer a importância dessas mulheres que abriram caminho para a presença feminina nos estádios.

Reconhecimento do professor orientador

O professor Rodrigo Gabrioti, orientador do projeto, expressou sua satisfação com a publicação do livro. Para ele, é um presente para Sorocaba e uma forma de preservar a história das Irmãs Ramalho, que sempre lutaram por seu clube e pela inclusão das mulheres no esporte. Ele espera que o TCC tenha um impacto duradouro e inspire futuras gerações.