Aos 18 anos, Ana Clara Martinez Blecha se destaca como um exemplo de superação. Diagnosticada com um tumor no cérebro aos 6 anos, ela enfrentou mais de 30 cirurgias e inúmeras sessões de quimioterapia. Apesar dos desafios, sua determinação a levou a se formar no ensino médio, celebrando uma conquista notável no Hospital do Graacc, em São Paulo.

O papel da Escola Móvel

A Escola Móvel é uma iniciativa que garante a continuidade da educação a jovens em tratamento de câncer. Ana Clara, que começou suas aulas no hospital assim que recebeu o diagnóstico, é uma das alunas mais antigas do programa. Os professores adaptam as aulas e materiais para atender às necessidades de cada paciente, promovendo um aprendizado significativo em meio ao tratamento.

No início, Ana Clara passou por dificuldades significativas, incluindo a perda temporária da visão após sua primeira cirurgia. Sua mãe, Lívia, recorda a ansiedade de querer que a filha aprendesse braile rapidamente, mas os educadores pediram paciência, assegurando que a visão poderia voltar.

Educação como forma de alívio

Durante as internações, as aulas se tornaram um alívio emocional para Ana Clara. Ela descreve os momentos de aprendizado como um remédio, pedindo para ter aulas o dia todo, pois isso a ajudava a lidar com a dor e a incerteza. Com o tempo, sua visão foi se recuperando, e Ana Clara foi alfabetizada, recebendo apoio também de sua avó, que é professora.

Mesmo com as adversidades, Ana Clara se destacou academicamente, nunca repetindo de ano e se mantendo como uma aluna nota 10. Durante a pandemia, ela fez aulas online pela manhã e continuou com as atividades da Escola Móvel à tarde.

Desafios contínuos

Em 2022, o tumor de Ana Clara apresentou crescimento e ela passou por uma cirurgia complexa. Mesmo em momentos de fragilidade, as aulas continuaram a ocorrer. A equipe de educadores acreditava que o aprendizado durante o tratamento era crucial para sua recuperação. E, após a cirurgia, Ana Clara conseguiu retomar sua vida escolar e se formar no 9º ano.

Suas aulas favoritas eram de ciências, onde as discussões se entrelaçavam com temas do cotidiano, facilitando um aprendizado mais leve e divertido. O coordenador da Escola Móvel, Edmar Silva, enfatiza a importância de oferecer educação integral para as crianças, lembrando que elas são muito mais do que suas doenças.

Novos objetivos e sonhos

Em 2024, Ana Clara enfrenta novos desafios com a deterioração de sua visão, mas permanece determinada. No ano passado, ela realizou o Enem no hospital com o apoio da Escola Móvel e do Inep. Para este ano, planeja novamente fazer o exame e sonha em cursar psicologia, com a intenção de trabalhar em hospitais e ajudar outras pessoas em situações semelhantes.

A luta de Ana Clara agora inclui a busca por acesso a um medicamento experimental pelo SUS, um desafio que pode custar mais de R$ 150 mil mensais. Para ela, a educação representa uma "janela aberta" para o mundo, e ela está determinada a pular essa janela e explorar novas oportunidades.