A inteligência artificial (IA) está revolucionando o cibercrime, tornando-o mais automatizado e desafiador para as empresas que tentam se defender. Segundo um estudo recente da Howden, em parceria com a Malanta, essas novas dinâmicas estão mudando a forma como os ataques são planejados e executados.

Crescimento Acelerado do Cibercrime

A pesquisa revela que o número de infraestruturas digitais usadas por criminosos aumentou de 6.498 em 2022 para cerca de 110 mil em 2024. Este crescimento explosivo deve-se à popularidade das ferramentas de IA generativa, que facilitaram a criação de ambientes para fraudes e ataques.

Industrialização do Cibercrime

O estudo destaca que a expansão anual de ambientes digitais criminosos passou de 32% entre 2015 e 2022 para impressionantes 285% a 340% entre 2023 e 2024. Esses ambientes são utilizados para armazenar códigos maliciosos, criar domínios falsos e organizar operações de phishing e roubo de dados.

Impacto da Automação

Marta Schuh, diretora de Seguros Cibernéticos da Howden Brasil, comenta que a automação proporcionada pela IA está permitindo que grupos criminosos realizem ataques sem a necessidade de equipes extensivas. Esse fenômeno, segundo ela, é uma verdadeira industrialização do cibercrime.

Casos Reais de Ataques Autônomos

Um exemplo citado no relatório é uma campanha de espionagem cibernética atribuída a um ator estatal chinês, onde 80% a 90% das atividades foram conduzidas por IA, com pouca ou nenhuma intervenção humana. Isso demonstra a eficácia e a rapidez com que esses ataques podem ser executados.

Desafios para a Segurança Cibernética

O tempo médio entre o registro de uma nova infraestrutura maliciosa e sua utilização em um ataque é de apenas 72 dias. Além disso, 82% dos domínios analisados ainda não foram detectados pelos fornecedores de segurança, sugerindo que muitos criminosos operam sem serem notados por longos períodos.

Conclusão e Futuro da Segurança Cibernética

Com a capacidade de manter múltiplas operações digitais simultaneamente por menos de US$ 100 mil, o cibercrime se torna uma atividade cada vez mais escalável. Marta conclui que a prevenção antes da ocorrência de ataques deve se tornar uma prioridade, dado que os métodos tradicionais de defesa já não são suficientes para lidar com o novo cenário.