A inteligência artificial (IA) evoluiu de uma tecnologia experimental para um elemento central nas estratégias empresariais. Essa transformação foi discutida no Web Summit de 2026, onde se destacou que a IA agora é parte integrante de processos cruciais, apoia a tomada de decisões e automatiza tarefas, aumentando a geração de valor para as empresas.

Adoção e Desafios da IA

De acordo com o KPMG Global Tech Report 2026, cerca de 50% das organizações estão expandindo suas aplicações de IA e 68% esperam retornos substanciais dos investimentos na tecnologia até o final do ano. Além disso, 88% das empresas estão investindo em sistemas de IA agêntica, que realizam tarefas complexas de maneira autônoma.

No cotidiano empresarial, as ferramentas de IA já desempenham papéis importantes em diversas áreas, como produção de conteúdo, análise de dados e automação de processos. No entanto, a rápida adoção dessas tecnologias frequentemente não é acompanhada por um desenvolvimento adequado dos mecanismos de supervisão e controle, o que gera preocupações significativas.

Riscos Associados à Adoção da IA

À medida que os sistemas de IA se tornam parte das operações essenciais das empresas, eles também se tornam vulneráveis a manipulações e ataques de agentes maliciosos. Os riscos vão além da tecnologia: envolvem a continuidade dos negócios, a proteção da propriedade intelectual e a segurança da informação. Essa vulnerabilidade é particularmente evidente em sistemas agênticos, que operam com base em grandes modelos de linguagem, permitindo a execução de diversas etapas de processos.

Pesquisadores têm documentado um aumento nas ameaças direcionadas a esses modelos, incluindo tentativas de manipulação de dados de treinamento e ataques para apropriação de ativos intelectuais. Além disso, a IA tem sido usada para acelerar campanhas cibernéticas, tornando-as mais sofisticadas e difíceis de detectar.

A Necessidade de Evolução na Governança

Frente a esse cenário, é crucial que as empresas ampliem sua visão sobre riscos. Métodos tradicionais de avaliação de ameaças não capturam adequadamente as implicações da IA, que continua a evoluir rapidamente, apresentando novas vulnerabilidades. A governança também deve acompanhar essa evolução, pois muitos processos de monitoramento ainda são rudimentares e carecem de clareza sobre os controles a serem implementados.

Para garantir um uso responsável da IA, é essencial adotar princípios que assegurem a transparência e a supervisão humana. As organizações devem integrar áreas como tecnologia, segurança cibernética e liderança executiva para desenvolver um ambiente seguro e inovador.

Revisão das Estratégias de Defesa Cibernética

As estratégias de defesa cibernética também precisam ser revistas. Como os sistemas de IA frequentemente operam com credenciais corporativas e interagem com vários departamentos, isso aumenta a superfície de ataque. Portanto, é fundamental implementar um gerenciamento rigoroso de acessos e aplicar os princípios de privilégio mínimo e arquitetura zero trust.

O reconhecimento da IA como um ativo estratégico está reformulando a gestão e as estruturas organizacionais, levando à criação de funções como Chief AI Officer. A questão central hoje não é se a IA será adotada, mas sim como fazê-lo de forma responsável e resiliente, equilibrando inovação e controles para maximizar os benefícios da tecnologia.