A indústria de apostas online no Brasil, que começou a operar legalmente em janeiro de 2025, apresenta um crescimento impressionante, com faturamento e arrecadação de impostos duplicando em 2026. O aumento da receita é acompanhado por preocupações sobre endividamento da população e o crescimento das casas de apostas ilegais.
Crescimento e arrecadação
Dados da Receita Federal revelam que as empresas de apostas online licenciadas obtiveram uma receita de R$ 12,2 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, dobrando em relação ao mesmo período do ano anterior. A arrecadação de impostos saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões, aproximando-se dos R$ 1 bilhão mensais arrecadados por setores como tabaco e agricultura.
Expectativas para o futuro
O setor deve se beneficiar ainda mais com a proximidade da Copa do Mundo, que, segundo a consultoria H2 Gambling Capital, pode gerar um aumento de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões nas apostas esportivas. O crescimento do faturamento está ligado a eventos esportivos e à publicidade que aumenta a penetração das apostas na sociedade.
Perfil dos apostadores e regulamentação
Desde a regulamentação do setor, o Ministério da Fazenda concedeu 85 licenças a empresas de apostas, resultando em 187 sites operando legalmente. A pesquisa mostra que 25 milhões de CPFs realizaram apostas em 2025, refletindo um aumento significativo no número de apostadores, mas também levantando questões sobre dependência e riscos financeiros.
Desafios e críticas
Apesar do crescimento, o mercado enfrenta desafios, incluindo a concorrência desleal de casas de apostas clandestinas, que não pagam as mesmas taxas e impostos. Organizações como a CNC alertam que essas apostas podem agravar a situação financeira das famílias, enquanto representantes do setor defendem que o problema é mais complexo e envolve a economia como um todo.
Perspectivas e mercado clandestino
O CEO da Ana Gaming, Marco Túlio Oliveira, prevê um crescimento mais moderado para os próximos anos, entre 10% e 15%. Além disso, a consultoria LCA estima que as apostas ilegais representem até 51% do mercado total, movimentando entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões. O governo continua a discutir a regulamentação e a fiscalização desse setor em expansão.
