A Raízen (RAIZ4) divulgou na última quarta-feira (27) detalhes sobre seu plano de reestruturação extrajudicial, revelando projeções e opções para credores no processo de reorganização de sua dívida. Na manhã do anúncio, as ações da companhia caíam 19,05%, cotadas a R$ 0,34.

Divisão dos Negócios

Um dos principais aspectos do plano é a possibilidade de separar a empresa em duas entidades: Raízen Energia, que se concentrará em açúcar e etanol, e Raízen Combustíveis, voltada exclusivamente para a distribuição de combustíveis no Brasil. O Goldman Sachs avalia que esta segregação poderia aumentar a competitividade no setor, embora sua implementação ocorra a longo prazo, com conclusão prevista para 2027.

Impacto para Cosan

Para a Cosan (CSAN3), o plano inclui a conversão de parte da dívida em ações, o que pode resultar em uma diluição significativa para os acionistas atuais, já que a dívida da Raízen é de R$ 65 bilhões, enquanto seu valor de mercado é de apenas R$ 4,4 bilhões. A Cosan, que já registrou valor contábil zero em seu investimento na Raízen, pode enfrentar desafios adicionais com contingências tributárias que totalizam R$ 7,2 bilhões.

Valuation e Recomendações

O Goldman Sachs menciona que a Cosan está negociando com um desconto de holding de 20%. Se a participação da Cosan na Raízen for excluída da avaliação, o desconto cairia para 13%. O banco mantém uma recomendação neutra para a ação da Cosan, com preço-alvo de R$ 5,10, considerando os riscos de mercado e a possibilidade de eventos adversos.

Expectativas para Vibra e Ultrapar

Enquanto isso, a Vibra mantém uma recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 43,20 em 12 meses. Por outro lado, a Ultrapar recebeu uma recomendação neutra, com preço-alvo fixado em R$ 36,30. As análises indicam que cada empresa terá um impacto diferente das mudanças na Raízen.

Detalhes e Cronograma do Plano

O plano de reestruturação também contempla um investimento de R$ 3,5 bilhões da Shell na Raízen e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos. Além disso, estima-se que 45% da dívida reestruturada poderá ser convertida em novas ações, levando a uma diluição considerável. A conclusão da reestruturação está prevista para março de 2027, enquanto a separação dos negócios poderá ocorrer já no próximo ano.