A adolescência é um período repleto de desafios, e para muitas meninas no Brasil, as cólicas menstruais se tornam um obstáculo significativo. Ana Beatriz Oliveira, de 13 anos, é um exemplo disso. Desde que menstruou pela primeira vez aos oito anos, ela enfrenta fortes dores que a afastam da escola e das atividades que ama, como a dança.
Recentemente, um estudo realizado pelos institutos Alana e Equidade.info revelou que 40% das meninas que menstruam no Brasil faltam às aulas pelo menos uma vez por mês em decorrência de sintomas menstruais. Essa estatística representa aproximadamente 3,6 milhões de meninas, incluindo Ana Beatriz, que já perdeu cerca de 12 aulas desde o início do ano letivo.
Impacto das cólicas menstruais na educação
O estudo também indica que 60% das meninas enfrentam cólicas de intensidade moderada a forte, o que exige intervenção médica. A pesquisa mostrou que quanto mais intensas as cólicas, maior o número de faltas: 20,5% das meninas faltam um dia, 16% perdem entre 2 a 5 dias e 0,6% mais de 5 dias por mês.
Realizada com 2.551 estudantes, incluindo 770 menstruantes, além de professores e gestores escolares de todo o Brasil, a pesquisa busca evidenciar os efeitos significativos que a dor menstrual tem na vida escolar das adolescentes. Segundo Sofia Reinach, do Instituto Alana, a falta de visibilidade sobre o tema é alarmante e precisa ser abordada.
Desigualdade e falta de discussão
O levantamento destaca ainda a invisibilidade global da dor menstrual, que se perpetua por mitos que protegem a falta de diálogo sobre o assunto. Guilherme Lichand, da Universidade de Stanford, ressalta que é fundamental discutir abertamente as experiências das meninas para que a dor não seja naturalizada.
Curiosamente, a pesquisa revelou diferenças na percepção da dor entre meninas negras e brancas. Enquanto as meninas brancas relatam sentir mais cólicas intensas, as negras apresentam mais faltas à escola, evidenciando desigualdades que impactam diretamente a trajetória educacional.
Desafios para professores e gestores
O estudo também mostra que uma em cada dez professoras faltou ao trabalho por motivos menstruais, e entre as gestoras, esse número sobe para 16,2%. Reinach sugere que a pressão social faz com que mulheres adultas muitas vezes suportem a dor, ao contrário das adolescentes, que estão em uma fase mais crítica.
Assim, o impacto das cólicas menstruais não afeta apenas as meninas, mas também a dinâmica escolar como um todo, uma vez que a ausência de professoras pode prejudicar a experiência de aprendizado de todos os alunos. A pesquisa evidencia a necessidade urgente de uma abordagem mais consciente e inclusiva sobre a saúde menstrual nas escolas brasileiras.
