O clima de pessimismo entre os gestores de recursos em relação à bolsa brasileira aumentou significativamente, conforme aponta uma pesquisa recente do Bank of America (BofA). Em junho, apenas 31% dos entrevistados acreditam que o Ibovespa superará a marca de 190 mil pontos até o final de 2026, uma queda expressiva de 35 pontos percentuais em comparação ao mês anterior, quando 66% tinham essa expectativa.
Expectativas em queda
O levantamento, divulgado na última terça-feira (16), foi realizado antes de notícias sobre um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o que pode ter influenciado as respostas dos gestores. O gráfico apresentado pelo BofA ilustra claramente essa mudança de percepção, mostrando que, enquanto em maio muitos apostavam em um Ibovespa acima de 210 mil pontos, em junho as expectativas se concentraram na faixa entre 190 mil e 200 mil pontos.
Previsão de lucros e cenário eleitoral
Além da redução nas previsões do índice, 40% dos investidores agora esperam revisões negativas nos lucros das empresas brasileiras ao longo deste ano, um aumento em relação aos 29% do levantamento anterior. O cenário eleitoral foi destacado como um dos principais fatores que devem impactar os ativos brasileiros nos próximos meses.
Câmbio e juros sob pressão
As perspectivas para o câmbio também se deterioraram. Nenhum dos gestores consultados prevê que o dólar caia abaixo de R$ 4,80 até o final de 2026, em contraste com 31% que tinham essa expectativa em maio. A quantidade de investidores que acredita em um dólar mais fraco caiu de 66% para 45%.
Expectativa sobre a Selic
No que diz respeito à taxa Selic, 68% dos gestores não acreditam que ela fique abaixo de 14% até o fim do ano. A percepção é de que fatores geopolíticos podem desacelerar o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, o que gera cautela entre os investidores.
Mudanças no posicionamento dos investidores
O nível de caixa dos fundos se manteve em 6,4% em junho, acima da média histórica de 5,5%. Além disso, 58% dos gestores relataram um apetite a risco inferior ao normal, o maior índice desde abril de 2025. As preferências setoriais também mudaram, com uma migração de estratégias de crescimento para ativos de qualidade e com bom histórico de dividendos.
Perspectivas para a América Latina
Fora do Brasil, os gestores mostraram otimismo com a Argentina, que lidera as expectativas de valorização na América Latina nos próximos seis meses. A Colômbia também ganhou destaque, superando o Chile, enquanto no México, as expectativas sobre o impacto da revisão do acordo comercial USMCA são limitadas. Os principais riscos externos que afetam a região continuam sendo a alta dos juros nos Estados Unidos e a valorização do dólar.
